Em um projeto muito especial, buscamos fortalecer o poder feminino de brasileiras em Dresden

Carla Scheidegger - 25 de Março de 2017
Quando Andréa Lang nos convidou para fazer a oficina “Expatriada, autêntica e feliz” com uma parte do grupo das Mulheres Brasileiras em Dresden (MBD), ela tinha um objetivo bastante claro: fortalecer aquelas mulheres.

Ela, que já vive há mais de uma década com sua família em Dresden, educa seus dois filhos com muito amor, trabalha e atualiza seus conhecimentos continuamente. Além disso, ainda cuida de sua vida social, pois sabe que, mesmo que as pessoas com quem compartilha seu tempo não sejam seus familiares, elas têm um enorme valor em sua vida. No fundo, Andréa, assim como muitas outras mulheres, só quer uma coisa: viver com plenitude todos os seus papéis.

Andréa conhece bem os desafios que uma mulher tem que enfrentar diariamente para se impor e ser respeitada. Como estrangeira, que não domina o alemão, muito menos o dialeto da Saxônia, eles são ainda maiores. E se você está se perguntando neste momento, “mas por quê ela deixou seu país?”, eu gostaria de lembrar que, em todo o mundo, há pessoas que decidem deixar sua terra natal e têm que se despedir de suas famílias pelos mais diversos motivos.

Nós ficamos honradas com o convite, pois já tinhamos reunido experiências positivas em projetos em prol do “Empoderamento Feminino” em Munique.

Quem vive no exterior sabe como as coisas simples do dia-a-dia podem funcionar de forma bem diferente em um novo contexto cultural. Você tenta se adaptar o mais rápido possível para se integrar. Você tenta ser aceito e pertencer. Você tenta, “simplesmente”, ir em busca dos seus sonhos. Você se foca tanto no "lado de cá", que acaba se afastando do "de lá", ou seja, de suas próprias raízes e de seus valores. Pouco a pouco, sua identidade vai se transformando, sua autoestima perdendo a força, você começa a se desanimar, viver infeliz e, em casos extremos, até adoece. Este ciclo, que não se aplica a qualquer pessoa, pode demorar mais ou menos tempo até que você se reencontre como indivíduo na nova sociedade e reconstrua sua autoestima.

Apesar de cada uma daquelas mulheres terem histórias de vida diferentes, uma coisa elas tinham em comum: o desejo em viver satisfeita consigo mesma e de ser feliz.

Todos estes assuntos foram trabalhados em grupo ou individualmente. Ilustrações, videos, música, histórias do mundo de Carlotas e até poesia deram um tom mais leve à dinâmica, que foi realizada em tres fases:

• Eu antes de chegar aqui (Quem era esta mulher no momento da despedida? | O que não podia faltar na mala?)
• Eu na Alemanha (Como eu me transformei? | Quem é esta mulher hoje? | Autoempatia, Expectativas X Perfeição, Resiliência)
• Eu no futuro (Quais são os meus objetivos e sonhos? | O que eu gosto de fazer e me deixa feliz? | Estou realmente investindo o meu tempo em coisas que me trazem felicidade?)



Elas dedicaram-se ao autoconhecimento, treinaram a empatia e aprederam a essência da Comunicação Não Violenta (CNV) de Marshall Rosenberg, que diz basicamente que por trás de cada sentimento há uma necessidade humana atendida ou não.

O sucesso da oficina baseou-se na criação de um ambiente de respeito e confiança, pois foram as experiências e a participaçãoo de cada mulher ali presente, que enriqueceram as reflexões.

Foram 1.100 km rodados, quatro horas de oficina e mulheres muito especiais, que fizeram deste dia uma experiência inesquecívei e muito significativa.

Carla Scheidegger

Sou uma mente curiosa e um corpo recheado de emoções. Gosto muito de viajar, pra conhecer novas culturas, novos valores e me transformar continuamente. Exercito assim, a empatia, pois acredito que somente o encontro com o diferente nos dá a chance de expandir nosso olhar sobre o mundo e de ser uma pessoa melhor. Como aqui em Carlotas.

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