Setembro, no Programa Explore Carlotas, foi um mês de muitas reuniões pedagógicas, círculos de diálogo e encontros formativos online. É o mês marcado pelo início da primavera, que anuncia o recomeço, o florescimento e o cultivo de novas possibilidades de convivência. Entre escutas, trocas e aprendizados, setembro nos convidou a olhar para aquilo que pode florescer nas relações e a reconhecer que todo processo de transformação começa com pequenos movimentos de cuidado, diálogo e abertura para o novo.
Participamos de 06 reuniões pedagógicas nas escolas parceiras, promovendo diálogos sobre os três pilares do programa: Prevenir, Acolher e Restaurar. Ao aprofundarmos o pilar Restaurar, refletimos sobre a importância de compreender os conflitos para além da punição, fortalecendo processos de responsabilização que considerem os impactos causados e os caminhos possíveis para reparar danos e reconstruir vínculos. O erro pode ser compreendido como uma oportunidade pedagógica de aprendizagem, em que a escola, em vez de excluir, busca incluir para responsabilizar, garantindo a escuta das diferentes partes, a sustentação de limites com respeito e a preservação do pertencimento. Também reconhecemos que restaurar possui uma dimensão coletiva, envolvendo a corresponsabilidade de toda a comunidade escolar na recomposição das relações. Nas escolas parceiras, esse pilar ainda se apresenta como um desafio, especialmente por exigir mudanças de olhar e de práticas já consolidadas na forma de lidar com conflitos. Por isso, os encontros têm sido importantes para ampliar esse repertório, refletir sobre os limites e as possibilidades da restauração e construir, gradualmente, caminhos que favoreçam uma convivência mais dialógica, responsável e cuidadosa.
O fortalecimento de vínculos foi o tema central dos 05 círculos de diálogo realizados nas escolas. A partir de uma demanda das próprias equipes, os encontros foram construídos como espaços de fala, escuta e cuidado, acolhendo diferentes sentimentos, experiências e perspectivas. Os círculos possibilitaram que cada pessoa pudesse se expressar, escutar o outro e refletir sobre como cuidar de si e das relações que constroem coletivamente.
Setembro também foi marcado pelo segundo encontro coletivo online das CMCs, dedicado ao Protocolo de Prevenção e Enfrentamento ao Racismo e à Xenofobia, elaborado pela Prefeitura da Cidade de São Paulo. Retomamos as perguntas e reflexões construídas pelos grupos no primeiro encontro e aprofundamos o diálogo sobre as microagressões e suas manifestações no contexto escolar. Discutimos como atitudes, falas e comportamentos cotidianos, muitas vezes sutis ou naturalizados, podem comunicar desprezo, hostilidade ou desvalorização e produzir impactos nas pessoas e nos grupos. O encontro foi uma oportunidade para ampliar o olhar sobre essas manifestações e refletir sobre formas de reconhecê-las e enfrentá-las no cotidiano escolar.
Finalizamos o mês com os encontros formativos online com as CMCs das escolas parceiras. A partir da nossa Caixa de Ferramentas da Mediação, trabalhamos mais duas ferramentas voltadas ao diálogo. Refletimos sobre a importância de considerar as diferenças culturais nos processos de mediação. Partimos da compreensão de que cada pessoa interpreta e reage às situações a partir de sua história de vida, cultura, experiências e referências, e que essas diferenças podem influenciar a comunicação e gerar mal-entendidos ou conflitos. Na mediação, reconhecer essa diversidade é fundamental para evitar julgamentos e pressuposições, ampliar a escuta e criar condições para que diferentes perspectivas sejam compreendidas e respeitadas. Também iniciamos a reflexão sobre a importância de fazer boas perguntas como ferramenta para ampliar a compreensão das situações e favorecer o diálogo. Esse tema será aprofundado no próximo mês, dando continuidade ao nosso percurso formativo.
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Gostou do texto: “Setembro nas escolas: novos olhares, novos caminhos”.
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