Desde maio de 2026, está em vigor a nova redação do capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora n.º 1 (NR-1), que tornou expressa a inclusão dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Isso significa ampliar o olhar sobre saúde e segurança no trabalho.
Além dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes, as organizações precisam considerar aspectos da própria organização e das relações de trabalho que podem representar riscos à saúde das pessoas, como: sobrecarga, assédio, falta de apoio, baixa autonomia, conflitos e outras condições relacionadas ao trabalho.
Em 2025, antecipando essa transformação, a Carlotas lançou o Guia Saúde Mental e as atualizações da NR-1, em um evento exclusivo para clientes e organizações parceiras. Na ocasião, eu mediei um papo com a Marcela Vavassori, psicóloga, Lilian Ferrari, da Petrobras, e Flávia Vianna, do Pacto Global | Brasil, para discutir os impactos das mudanças e o papel das organizações na promoção da saúde mental.
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O que aconteceu desde então?
A NR-1 entrou efetivamente em vigor em 26 de maio de 2026. Para apoiar sua implementação, o Ministério do Trabalho e Emprego também publicou novos materiais, incluindo o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1 e uma série de perguntas e respostas sobre o GRO e o PGR.
Em junho de 2026, porém, o Supremo Tribunal Federal determinou a suspensão temporária de multas e outras sanções relacionadas às novas exigências sobre fatores de riscos psicossociais, enquanto são discutidos critérios de aplicação e fiscalização. Em agosto, o Plenário do STF confirmou essa decisão. A suspensão das sanções não revogou a NR-1 nem retirou a exigência de gerenciamento dos fatores de riscos psicossociais. O tema segue em discussão no STF.
Este é o momento de as empresas estruturarem processos consistentes de identificação, avaliação, prevenção e acompanhamento desses riscos.
E por que isso importa?
Os dados ajudam a dimensionar o problema.
Em 2025, dados preliminares da Previdência Social apontaram 546.254 benefícios relacionados a transtornos mentais e comportamentais, um crescimento de aproximadamente 15,7% em relação a 2024. Entre eles, foram concedidos 166.489 benefícios relacionados a transtornos de ansiedade e 126.608 relacionados a episódios depressivos.
Os números reforçam algo que vai muito além de uma obrigação normativa: a organização do trabalho também faz parte da conversa sobre saúde mental.
O que a NR-1 coloca em pauta
A atualização reforça a importância de:
- identificar fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho;
- avaliar como a organização e as condições de trabalho podem afetar a saúde das pessoas;
- incluir esses riscos dentro do GRO e do PGR;
- construir medidas de prevenção e controle;
- acompanhar a efetividade dessas medidas;
- envolver trabalhadores e lideranças no processo;
- documentar as avaliações, critérios e ações adotadas.
A própria Fundacentro destaca que a prevenção não deve se limitar a iniciativas isoladas. Ela precisa fazer parte da rotina das organizações e pode exigir mudanças concretas em aspectos como carga de trabalho, metas, pausas, autonomia, relações de trabalho e participação nas decisões.
É justamente aqui que existe uma diferença importante:
Cuidar da saúde mental não é apenas oferecer apoio às pessoas quando elas adoecem. É também olhar para as condições que podem contribuir para o adoecimento.
No Guia Saúde Mental e as atualizações da NR-1, reunimos informações sobre os fatores de riscos psicossociais, as principais mudanças da norma, responsabilidades das organizações, caminhos para implementação, boas práticas e referências para apoiar esse processo.
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Dar conformidade à cultura de cuidado
A NR-1 é uma exigência regulatória, mas pode também ser uma oportunidade para fazer uma pergunta mais ampla:
Que aspectos da nossa forma de trabalhar protegem a saúde das pessoas e quais precisam ser transformados?
Diagnosticar riscos é parte do processo. Construir uma cultura em que lideranças, processos, relações e práticas cotidianas promovam ambientes psicologicamente mais seguros e saudáveis é o desafio seguinte.
Sua empresa precisa de apoio para avançar nessa agenda?
Carlotas atua desde o diagnóstico e mapeamento de riscos e percepções até a sensibilização de lideranças e equipes, construção de planos de ação, formação e desenvolvimento de práticas e rituais de cuidado.
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