Diário de uma pandemia – por Tuca

Tuca é uma menina tímida, bem humorada e adora desenhar. Ela mora em Carlotas com sua mãe Nara e seu irmão, o Zeca e adora ir para a escola e encontrar sua melhor amiga, Dani. Quando está em casa, depois da lição, ela se joga no chão e passa horas desenhando e pintando. Ela e Zeca estudam na escola perto da casa deles. A Tuca veio aqui conhecer você e, óbvio, contar sua história! Ela quer falar sobre sua experiência durante esse período que ela e sua família estão em casa. Leia e conheça os sentimentos dessa menina nesse momento difícil, lidando com uma pandemia global.

Bom dia diário,
O Zeca teve a ideia de marcar os dias que passam em forma de grão de milho, cada dia que passa é 1 grão de milho pra dentro do pote vazio de maionese. Acho que devo ter gasto uns 2 minutos e 15 segundos contando os 42 grãos de milho que estavam lá dentro, visto que eu tive que recontar umas 4 vezes, porque sempre que chegava no trinta e pouco eu perdia a conta e tinha que voltar tudo de novo. O que eu quero dizer é que contar os grãos de milho me acalma. A cada grão que eu conto, penso que passou 1 dia, isso quer dizer que é um dia mais perto do dia em que a gente vai poder voltar a se encontrar na rua, ir para escola, ver a Dani, meu professor, pular nas costas do meu pai (ele anda muito cansado), abraçar minha mãe (ela está trabalhando o dia inteiro), visitar minha avó.

São 42 dias que passaram, aprendi na escola que tem meses com 30 dias e meses com 31, tirando o mês de fevereiro que é mais complicado, são 28 dias no total, mas a cada 4 anos, fevereiro ganha 1 dia inteiro e fica com 29 dias. Mas meu ponto é estamos há mais de um mês dentro de casa. Haja brincadeira pra tanto tempo. O Zeca, meu irmão mais velho arrumou uma nova atividade que também deixa ele mais calmo, ele troca cartas com os amigos, cartas escritas a mão por ele, as vezes ele faz uns desenhos bem bacanas. Tem dia que o Zeca está mais triste, ele fica calado e não quer brincar comigo, eu entendo, deixo ele quietinho.

No meu caso, durante essa quarentena, brinquei muito, o Zeca me fez muita companhia e topava quase todas as brincadeiras, mas fiquei com uma saudade da Dani, queria falar com ela, contar que tinha acabado de montar um mega quebra-cabeça de 50 peças e que demorei 3 dias inteiros, ou 3 grãos de milho pra terminar. Queria contar que tive a permissão do meu pai e da minha mãe para pintar uma parede inteira do meu quarto, quer dizer, até onde eu alcançar com o giz, e minha ideia é fazer o Mundo da Tuca, estou pensando em misturar minhas cores favoritas – vermelho e amarelo, com as cores do meu time de futebol, verde e branco.

Os dias seguem passando, alguns rápidos, outros leeeeeentos, tem dia que tanta coisa acontece que fica impossível guardar tudo na memória pra esperar a quarentena passar e contar para a Dani. Foi assim que eu tive uma ideia. Com a ajuda do meu pai, montei um diário, eu desenhei a capa e minha mãe, parou um pouco de trabalhar, e desenhou a contra capa, ficou lindo! Aqui estou contando tudo o que eu consigo lembrar sobre meus dias na quarentena, assim posso voltar aqui pra consultar quando quiser lembrar de algum dia ou acontecimento durante esse período.

Outra utilidade do diário, é que escrever nele também me acalma, contar aqui sobre meu dia, minhas descobertas e meus sentimentos. Observar minhas emoções me ajuda a entender melhor a situação que estamos e monitorar a intensidade de cada sentimento me ajuda a buscar ajuda quando preciso. As vezes tenho um medo do nada e corro para minha mãe que me abraça bem forte, como eu gosto. Tem dias que estou triste e vou para meu pai que me conta as piadas mais engraçadas e canta pra eu dormir. Quando estou sozinha vou sentar com o Zeca que sempre me faz companhia!

Escuto muita gente falar sobre como vai ser depois de tudo isso acabar e o que vamos levar para frente, eu não entendo muito o que isso quer dizer, mas sei que o meu diário vai comigo.


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