Tâmara, o fruto da empatia

Você já ouviu dizer que as pessoas que plantavam tâmaras não chegavam a comer as tâmaras?

A tâmara é considerada um dos frutos mais doces do mundo e por muito tempo foi conhecida como o fruto da empatia, uma vez que a história nos conta que pela ordem natural das coisas, esta árvore demora de 70 (setenta) a 100 (cem) anos para começar a dar os seus primeiros frutos.

A tamareira é uma das mais antigas espécies de palmeiras que se tornou famosa não somente pelo seu doce fruto, considerado por alguns como o caramelo da natureza, mas também por essa sua característica de demorar muitos anos a frutificar, e foi isso que originou o popular ditado árabe que diz ‘quem planta tâmaras, não come tâmaras’. Uma vez que as pessoas que plantavam as Tamareiras, respeitando o tempo de crescimento natural da espécie, passavam a vida toda cuidando dessa árvore, não com o foco no consumo próprio, e sim, preocupados em deixar tudo preparado para as próximas gerações poderem degustar o doce fruto dessa árvore. Uma atitude realmente empática que prevaleceu por muitos e muitos anos, tornando este um ritual simbólico e gentil entre as gerações.

Atualmente, a tecnologia possibilitou acelerar o processo para otimizar a produção e já é possível encontrar tamareiras dando os seus primeiros frutos em cerca de 10 (dez) anos, ou em alguns casos mais precoces, como soubemos recentemente, em torno de 05 (cinco) anos e a tendência é que aos poucos os processos se acelerem ainda. Ao mesmo tempo em que é possível celebrar a inovação e a evolução de produção, é possível questionar se aos poucos as tâmaras vão deixando de ser um fruto que representa a empatia na prática, prevalecendo assim somente o conceito. Independentemente da evolução dos processos e do dinamismo das produções, vale preservar o legado e a poesia desse fruto para deixar para as próximas gerações.

Quando se fala de legado, é comum pensar em filhos e/ou grandes obras, mas é importante considerar que o legado também é deixado no cultivo da natureza, nos frutos e nas histórias que ficam de geração em geração.

Aos poucos tudo se transforma da natureza à sociedade e isso não somente é importante, como saudável para a evolução da humanidade. Novas formas de cultivo dos frutos, no mais amplo sentido da expressão, novas formas de consumo e até mesmo de preservação das espécies vão surgindo, prosperando e ressignificando a forma de ver o mundo e até mesmo a economia mundial.

Depois de algumas gerações caracterizadas por viver o presente e por ver o mundo de forma um pouco mais individualizada, surge a geração Z, caracterizada pelos nascidos entre 1995 e 2010, que é uma geração que volta a se preocupar com o futuro, tomando como exemplo Greta Thunberg. Uma jovem que aos 16 anos de idade, passou a ser mundialmente conhecida como uma verdadeira líder ativista pela sua preocupação genuína com o futuro das mudanças climáticas, clamando por soluções imediatas a quem realmente tem o poder de fazer algo hoje, para preservar o amanhã do planeta Terra. E com isso, a esperança que mais atitudes empáticas e simbólicas, como o ato de plantar tâmaras, como nos velhos tempos, possam surgir, pensando não somente nos frutos, mas também nas histórias e no legado que ficarão para as próximas gerações usufruírem com alegria e abundância.

A partir de hoje, cada vez que apreciarmos esse fruto, que possamos lembrar, honrar e agradecer a todas as gerações antecessoras à nossa, que tiveram a paciência de plantar e aguardar a colheita, assim como a geração que visualizou a solução para acelerar todo esse processo e tornar o fruto mais acessível.


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