Entender as diferenças sobre as nossas projeções e imaginações é algo importante para todos

Desde pequenininha sempre fiquei bem sozinha. E isso acontecia porque eu tinha uma imaginação fértil. Não sei se teria sobrevivido as longas noites de tédio da minha adolescência sem minha imaginação. Eu botava umas músicas pra tocar e passava horas e horas imaginando coisas que gostaria que acontecessem comigo.

Aí eu cresci e aprendi o termo “projeção”, que tem um pouco a ver com isso de imaginar coisas que você gostariam que acontecesse com você.

O pessoal que me falou sobre a projeção me alertou que isso era muito muito ruim.

Comecei a me policiar. Tentar viver mais no agora, na realidade.

Então, minhas viagens de carro começaram a ficar mais chatas. O tempo sozinha comigo ficou mais chato, porque eu mal começava a dar uma imaginadinha já me podava dizendo pra mim mesma que aquilo era uma projeção. Para não criar expectativas. Que era importante, sendo eu agora uma adulta, viver no agora.

Acontece que muitas vezes o mundo na minha cabeça é bem mais legal que o “agora”. E é um saco quando eu mesma sou a pessoa que me podo de chegar nele.

Isso não estava legal pra mim, tinha que ser diferente…

Então, saquei que existe um diferença sutil entre projeção e imaginação: projeção é quando você imagina todas essas coisas e SOFRE se elas não existirem. Você tem medo de imaginar por ter medo de nunca conseguir aquelas coisas.

Imaginação é quando você imagina todas essas coisas e se basta só pela capacidade de poder imaginar tudo isso. Você fica feliz só pelo fato de em algum lugar essas coisas existirem. Mesmo que seja só dentro de você. (Alguém aí já assistiu “Precious” ? Foi ou não a imaginação dela que a salvou daquela vida miserável? Eu chorei em todas as cenas que ela se imaginava tendo uma vida diferente. Ou então, “A Vida é Bela”, que ganhou aquele tanto de prêmios porque todo mundo ficou tocado com a imaginação daquele pai).

É como se na sua imaginação pudessem habitar seus melhores segredos, aqueles que você só conta pra você mesma. É um ato de cumplicidade. Um sinalzinho que você dá lá pra sua criança de que você ainda sabe brincar. Não é nada muito sério, é só uma coisa que está acontecendo dentro de você, que ninguém está vendo, não precisa ter medo.

Clarice tem uma frase ótima que eu adoro “penso e não me impressiono”.

O que torna a vida mais bonita de ser vivida é válido.


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