Você está expressando seus sentimentos com exatidão?

Saber expressar nossos sentimentos é algo fundamental para nutrir relacionamentos saudáveis. Infelizmente, a maioria de nós não sabe como fazer isso. No ambiente profissional, então, nem se fale. Somos educados para não misturarmos nossos sentimentos com negócios. Essa crença existe porque a maioria das pessoas acha que expressar sentimentos é uma forma de “desabafar” alguma coisa.

No entanto, quando sabemos expressar nosso sentimento verdadeiro, ele não é visto como um simples desabafo, pois, ao fazê-lo, não rotulamos os outros, nem nos fazemos de vítimas. Na verdade, quando sabemos expressar nossos sentimentos, estamos praticando nossa humanidade de uma forma plena e sábia.

No livro Comunicação Não Violenta, Marshall Rosenberg dá um exemplo muito claro sobre isso: uma mulher insatisfeita com a forma como o marido se comporta, disse em um dos seus seminários: “Sinto como se estivesse casada com uma parede”. Diante disso, Marshall perguntou: “Você se sente solitária e querendo mais contato emocional com seu marido?”, a mulher concordou e Marshall prosseguiu: “É improvável que você consiga o que quer dizendo ao seu marido que se sente como se estivesse vivendo com uma parede. É mais provável que essa sua afirmação seja ouvida como crítica do que como um convite para ele se conectar aos seus sentimentos”.

Pense agora no que está sentindo, isso é realmente um sentimento ou é uma opinião critica? Ou talvez o que você acredita ser um sentimento seja, na verdade, um pensamento a respeito do que você acha sobre você mesmo, ou sobre o que os outros acham de você.

Perceba: nenhuma dessas afirmações expressa um sentimento:

Sinto que isso é inútil | Sinto que Lúcia é responsável | Sinto que sou uma má profissional

Difícil entender por que nenhuma dessas afirmações expressa um sentimento, não é mesmo? Mas repare, todas elas, na verdade, expressam uma opinião e opiniões não são sentimentos. Repare também nessas outras afirmações:

Estou me sentindo ignorado | Sinto-me insignificante ao redor das pessoas com quem trabalho | Sinto-me incompreendido

Essas afirmações também não são expressões de sentimento, elas são a expressão de como achamos que os outros estão se comportando com relação ao que estamos sentindo, ou seja, em todas essas afirmações você está avaliando o nível de atenção e compreensão das outras pessoas para com você, mas o que você sente na verdade é tristeza, solidão, mágoa, etc. É importante definir com exatidão:

Estou desapontado comigo mesmo | Estou triste porque preciso de mais atenção | Estou magoada por não conseguir me expressar de forma clara

Em geral, quando expressamos nossos sentimentos, expomos nossa vulnerabilidade. Talvez seja por isso que temos receio de fazê-lo. Inconscientemente, preferimos julgar os outros como se eles fossem responsáveis pelo que estamos sentindo, mas ao julgarmos as outras pessoas criamos um cárcere para elas. Desapontadas, elas acabam se tornando exatamente aquilo que dizemos que elas são. Nada se resolve. Você desabafa centenas de vezes, mas continua sentindo que não disse o que realmente está sentindo.

Por que isso acontece? Porque você ainda não silenciou para identificar qual é a sua real necessidade que está deixando de ser atendida. Se você está feliz é porque suas necessidades estão sendo satisfeitas e o contrário também é verdadeiro, como o próprio Marshall diria, “toda violência é a expressão trágica de uma necessidade não atendida”.

Faça o teste: conecte-se com seus sentimentos agora, responsabilize-se pelo que está sentindo. Escreva nos comentários o que você está sentindo, que responderei, de acordo com os princípios da Comunicação Não Violenta, se essa é uma expressão clara dos seus sentimentos. Esse será o primeiro passo, nos próximos artigos falarei um pouquinho mais sobre como fazer um pedido.

Afinal, não adianta somente falarmos com clareza dos nossos sentimentos, é importante também sabermos comunicar aos outros o que é que a gente precisa de fato.


Gostou do artigo: “Você está expressando seus sentimentos com exatidão?”?
Leia também:

Somos responsáveis pelos nossos sentimentos, mas não somos donos deles

COMO TRABALHAMOS

Raça e Etnia

Letramento racial por meio da arte: do entendimento histórico às práticas antirracistas no trabalho. Reconhecidas com o Selo Igualdade Racial, apoiamos empresas a sair do discurso para a estrutura.

COMO TRABALHAMOS

Empregabilidade de Jovens

Preparamos times e lideranças para receber e desenvolver jovens diversos — do acolhimento à mentoria. Tema conectado ao nosso compromisso com o Pacto Nacional pela Inclusão Produtiva das Juventudes.

COMO TRABALHAMOS

Pessoa com Deficiência

Trabalhamos o capacitismo e a acessibilidade atitudinal com experiências de mudança de perspectiva. O grupo vivencia, conversa e aprende linguagem e práticas inclusivas para construir um ambiente onde todas as pessoas pertencem.

COMO TRABALHAMOS

Saúde Mental e Atualização NR-1

Riscos psicossociais explicados de forma clara e humana, à luz da nova NR-1. Rodas de diálogo, check-ins de bem-estar e práticas de cuidado que fortalecem uma cultura de saúde mental no trabalho.

COMO TRABALHAMOS

Voluntariado Empresarial

Capacitamos voluntários com nossa abordagem lúdica para atuar com crianças, jovens e comunidades. Uma experiência que transforma quem recebe — e, como contam nossos clientes, também quem doa.

COMO TRABALHAMOS

LGBTI+

Letramento sobre identidades de gênero e orientações com arte e diálogo, sem julgamentos. Construímos juntos ambientes seguros, de respeito e pertencimento — na prática, não só no discurso.

COMO TRABALHAMOS

Combate ao Assédio

Criamos um espaço seguro para uma conversa difícil: as diferenças entre assédio moral e sexual, os limites no dia a dia e os caminhos de escuta e denúncia. Prevenção com clareza, empatia e alinhamento às exigências da NR-1.

COMO TRABALHAMOS

ESG | Sustentabilidade

O S do ESG ganha vida com vivências sobre responsabilidade social e os 5Rs da sustentabilidade — com a nossa personagem Dona Terra. Conectamos práticas ambientais e sociais ao cotidiano de cada equipe.

COMO TRABALHAMOS

Equidade de Gênero

Dados, histórias e diálogo facilitado sobre equidade: liderança feminina, maternidade, divisão invisível do trabalho. Signatárias dos WEPs (ONU Mulheres), levamos o tema do conceito à mudança de comportamento.

COMO TRABALHAMOS

Vieses Inconscientes e Microagressões

Por meio de vivências artísticas e provocações lúdicas, tornamos visíveis os atalhos mentais que todos carregamos. Em diálogo facilitado, o grupo aprende a reconhecer microagressões no cotidiano de trabalho — e ganha ferramentas práticas para interrompê-las com respeito.

Se quiser saber mais sobre nossos projetos ou se tiver interesse em contribuir de alguma forma com conteúdo alinhado ao nosso propósito ou ideias, envie-nos uma mensagem que entraremos em contato com você o mais rápido possível!.