Livro “Dar e Receber”

Adoro receber indicações de livros, filmes, séries. Especialmente quando vem com um “pensei em você”. Queria dar conta de tudo mas, aos poucos, a sua hora, acontece.

Foi o caso do livro Dar e Receber, de Adam Grant, indicado pelo querido Fernando Tsukumo. Para mim que tenho imensa dificuldade de falar não – e o Fer tem me ajudado nessa jornada – o livro trouxe reflexões importantes sobre o balanço e a importância de limites saudáveis para as relações.

Mas o livro não é (só) sobre isso. Adam traz um estudo sobre a capacidade de doação (acho que a melhor palavra seria cooperação) e o sucesso de uma pessoa. Já por isso, vale a leitura e a autoavaliação. O que vale muito no livro são os pontos que compõem seu estudo e narrativa recheando de exemplos sobe empatia.

Por exemplo, quando ele traz o conceito de Hiato de Perspectiva através de um estudo feito por um psicólogo da Nothwestern University, comprova que “quando não estamos experimentando uma situação agressiva, seja psicológica ou física, subestimamos em muito a intensidade com que seremos afetado por ela.” Esse ponto nos alerta sobre o desafio de se colocar no lugar do outro. Mesmo aguçando nossa capacidade imaginativa, imaginar e vivenciar forma um hiato de perspectiva, usando o termo do autor. Por isso, o olhar generoso, de assumir genuinamente a verdade do outro se faz necessário.

Em outra parte, traz a potência do propósito quando criamos conexão e humanizamos o que fazemos. Em experimentos, tanto em escolas quanto em áreas de saúde, percebeu-se que a criação de vínculos (por mais leve que fosse) ajudava a melhorar o desempenho e dedicação do profissional. Parece óbvio mas ver dados reais do quanto os vínculos são poderosos e transformadores faz com que a gente pense em como estamos fazendo isso no nosso dia a dia.

Não é segredo que aqui em Carlotas somos realmente fãs de atitudes empáticas, então o livro não deveria ser uma grande surpresa. Porém, ele tem um papel importante em reforçar que praticar a empatia não é algo simplista, muito menos fácil.

E como diria o mestre Claudio Thebas: Ser bom não é ser bonzinho. Ser bom, assim como ser empático, muitas vezes é ter que tomar decisões difíceis e duras. E, ao contrário do que muitos pensam, não é algo passivo nem omisso. Ser empático é atuar a serviço do coletivo e do bem comum e se posicionar.

Caso tenha lido ou depois de ler, manda seus insights e, claro, outras indicações!

“Como sei quem sou até ver o que faço?”- E. M. Foster

*Imagem da capa: Alfons Morales via Unsplash.

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