Deficiência, a chave para a inovação

O Dia 21 de Setembro é Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, uma data para refletir como a sociedade trata e vê as pessoas com deficiência, como “coitadinhos”, “limitados”, sendo todos os dias uma batalha e luta destas pessoas por infraestrutura, empregos e salários melhores, sem mencionar acessibilidade na educação, saúde e outros.

Porém, a deficiência pode ser a chave para a inovação, se a sociedade e as empresas conseguirem enxergar isso. Se pegarmos a nossa origem como homem primitivo, éramos “deficiente”: não tínhamos garras como os mais ferozes tigres, leões para caçar, não tínhamos pernas longas e flexíveis como veados, zebras para correr mais rápido e com resistência. Mãos longas como os macacos para escalar, nossos ouvidos escutam menos que a maioria dos animais, olhos de visão noturna ou longa distância – enfim o ser humano é um ser “deficiente” no reino animal, mas isso fez com que desenvolvêssemos várias outras coisas para nossa sobrevivência, entre elas o nosso raciocínio, pensamento criativos, que permitiram criar armas, ferramentas, manusear o fogo. Isso permitiu o início da nossa (re)- evolução, e cada vez ficávamos mais “deficientes”, temos menos resistência física, menos explosão, mas vamos evoluindo, plantando (revolução agrícola), controlando as máquinas (Revolução Industrial).

Homem usa aparelho auditivo

A definição de deficiente são duas: que tem alguma imperfeição ou que não tem quantidade suficiente. Em outra palavras o fato de não termos uma visão profunda permitiu que desenvolvêssemos os binóculos, por exemplo, depois radares e outras tecnologias. O fato de não termos uma audição boa, permitiu que criássemos meios de comunicação eficiente e práticos. Alexander Graham Bell, o famoso inventor do telefone, o desenvolveu, como um meio de poder comunicar com sua mãe surda, que ficava a três cômodos de onde estava (ao invés de gritar como gorilas ou baleias que tem seus ruídos escutados a quilômetros de distâncias). Atualmente o telefone é uma das tecnologias mais exponenciais e impactantes que existem, mais de 5 bilhões de pessoas possuem um telefone no mundo. O fato de não termos forças suficiente permitiu que desenvolvêssemos raciocínio lógico criando máquinas que pudessem realizar nossos trabalhos operacionais, e, cada vez mais, estamos criando máquinas mais inteligentes, com Inteligência Artificial permitindo que esta faça o trabalho por nós e facilite nossa vida. Fora outros exemplo que podemos trazer (deixo o convite para pensarmos juntos).

Os “deficientes” atuais estão sendo responsáveis pelo acelerado desenvolvimento de ferramentas que permitiram sermos super humanos. Muito de nós estamos usando fone de ouvidos, porque eles não poderiam ser futuros “aparelhos auditivos”? Que para uns ampliam certos sons, reduzindo ou bloqueando certos sons indesejáveis, podendo emparelhar com os dispositivos eletrônicos permitindo ter uma experiência de escuta muito melhor, sem contar o fato de proteger nossa audição, exatamente como funciona um aparelho auditivo, e poderia também ter outras funcionalidades como poder fazer traduções, indicações de caminhos e com uma inteligência artificial podem até se tornar nossos conselheiros.

Thierry segura a conectividade, dispositivo que permite parear todos os seus equipamentos no aparelho auditivo

A visão computacional, com realidade virtual, aumentada ou mista, pode descrever para cegos o ambiente, porque também não descrever ou mostrar certas informações que não sabia – isso não poderia revolucionar o nosso aprendizados, nossa comunicação?

Jovem usa óculos de realidade virtual

A cadeira, luvas e aparelhos de ergonomia além de permitirem que cadeirantes voltem a andar, caminhar, permitiram que andemos muito mais, conseguiremos carregar mais peso, por exemplo.

Olha quantas coisas as pessoas com deficiência podem nos trazer de soluções exponenciais e impactadoras, que podem trazer impactos e benefícios para sociedade como um todo. Mas para isso ser possível temos que escutá-las, empoderá-las, oferecer condições e acessibilidade para que elas em conjunto possamos co-criar, mostrar dores e problemas que não estamos enxergando.

Se a deficiência é não ter quantidade suficiente, porque restringimos somente como deficiência alguma limitação, imperfeição física (visual, motora, auditiva)? Podemos considerar também aquele que tem pouco capital, recursos, pouca educação também como parte do grupo, que precisamos prover acessibilidade, transparência a eles, mais que isso, eles sempre nos ensinam a fazer mais com menos e gerar várias ideias que podem gerar soluções de de altíssimos impacto e que podem mudar vidas, como por exemplo o Jan Koum, fundador do WhatsApp, que era um ucraniano pobre, que não tinha dinheiro para fazer as caríssimas ligações internacionais, permitiu criar uma ferramenta que se tornou talvez uma das maiores mudanças mundiais, aproximados os povos, tornando acessível a comunicação (tanto de recursos, mas permitiu que analfabetos pudessem se comunicar por áudio, facilitou a vida dos cegos, com recursos de áudio, transcrição de voz em texto, a vida do surdos (permitindo videoconferência e transmissão de áudio em texto), tornando a comunicação mais divertida e direta (permitindo mandar gifs e imagens coloridas).

Por isso abram os olhos, foi a “ deficiência” que permitiu a nossa evolução e desenvolvimento, chegamos a esse nível de sociedade e tecnologia graças a ausência de nossas forças e visões curtas. Tenham simpatia e acolham os deficientes, reflita não só neste dia 21 de Setembro Dia Nacional da Luta da pessoa com deficiência e veja que essas pessoas podem transformar e trazer inovação para sua empresa e para o mundo.

*Foto capa: Unsplash


Gostou do artigo: “Deficiência, a chave para a inovação”?
Leia também:

Acessibilidade, criatividade e inovação devem andar juntas

COMO TRABALHAMOS

Raça e Etnia

Letramento racial por meio da arte: do entendimento histórico às práticas antirracistas no trabalho. Reconhecidas com o Selo Igualdade Racial, apoiamos empresas a sair do discurso para a estrutura.

COMO TRABALHAMOS

Empregabilidade de Jovens

Preparamos times e lideranças para receber e desenvolver jovens diversos — do acolhimento à mentoria. Tema conectado ao nosso compromisso com o Pacto Nacional pela Inclusão Produtiva das Juventudes.

COMO TRABALHAMOS

Pessoa com Deficiência

Trabalhamos o capacitismo e a acessibilidade atitudinal com experiências de mudança de perspectiva. O grupo vivencia, conversa e aprende linguagem e práticas inclusivas para construir um ambiente onde todas as pessoas pertencem.

COMO TRABALHAMOS

Saúde Mental e Atualização NR-1

Riscos psicossociais explicados de forma clara e humana, à luz da nova NR-1. Rodas de diálogo, check-ins de bem-estar e práticas de cuidado que fortalecem uma cultura de saúde mental no trabalho.

COMO TRABALHAMOS

Voluntariado Empresarial

Capacitamos voluntários com nossa abordagem lúdica para atuar com crianças, jovens e comunidades. Uma experiência que transforma quem recebe — e, como contam nossos clientes, também quem doa.

COMO TRABALHAMOS

LGBTI+

Letramento sobre identidades de gênero e orientações com arte e diálogo, sem julgamentos. Construímos juntos ambientes seguros, de respeito e pertencimento — na prática, não só no discurso.

COMO TRABALHAMOS

Combate ao Assédio

Criamos um espaço seguro para uma conversa difícil: as diferenças entre assédio moral e sexual, os limites no dia a dia e os caminhos de escuta e denúncia. Prevenção com clareza, empatia e alinhamento às exigências da NR-1.

COMO TRABALHAMOS

ESG | Sustentabilidade

O S do ESG ganha vida com vivências sobre responsabilidade social e os 5Rs da sustentabilidade — com a nossa personagem Dona Terra. Conectamos práticas ambientais e sociais ao cotidiano de cada equipe.

COMO TRABALHAMOS

Equidade de Gênero

Dados, histórias e diálogo facilitado sobre equidade: liderança feminina, maternidade, divisão invisível do trabalho. Signatárias dos WEPs (ONU Mulheres), levamos o tema do conceito à mudança de comportamento.

COMO TRABALHAMOS

Vieses Inconscientes e Microagressões

Por meio de vivências artísticas e provocações lúdicas, tornamos visíveis os atalhos mentais que todos carregamos. Em diálogo facilitado, o grupo aprende a reconhecer microagressões no cotidiano de trabalho — e ganha ferramentas práticas para interrompê-las com respeito.

Se quiser saber mais sobre nossos projetos ou se tiver interesse em contribuir de alguma forma com conteúdo alinhado ao nosso propósito ou ideias, envie-nos uma mensagem que entraremos em contato com você o mais rápido possível!.