As palavras têm poder

As palavras têm poder. 

Com certeza você já ouviu essa frase e talvez tenha ou não concordado com ela.

Eu, jornalista que sou, concordo e muito no quanto as palavras, linguagens e formas de expressões podem causar impactos – positivos ou não – na vida e na sociedade.

Quer ver só?

Título do Artigo: “meu filho é retardado mental, que fazer?”

Foi ruim ler isso, não foi?

Mas essa é uma peça produzida pela APAE em 1967, quando o termo “retardado mental” não foi questionado, pois era comumente utilizado e não era considerado desrespeitoso. Há algum tempo também era comum e inquestionada a utilização da sigla PNE (pessoa com necessidades especiais) ou PPD (pessoa portadora de deficiência), no entanto, em 2006, após a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU (Organização das Nações Unidas), a sigla PcD (pessoa com deficiência) passou a ser usada substituindo as demais, sendo a forma correta para se referir a alguém com deficiência.

Viu só? Assim como a ciência, biologia ou matemática, a linguagem e as formas de comunicação evoluem, se modificam, se ampliam e cabe a cada um de nós prestarmos atenção e procurar sempre a melhor e mais inclusiva forma de nos comunicarmos.

Pensando nessa linguagem inclusiva, já reparou como o padrão masculino reverbera também na nossa forma de comunicação? Se temos 3 alunas e 1 aluno em sala, temos alunos. Muitas vagas de emprego ainda procuram um coordenador, médico, motorista – percebe como excluímos as pessoas que não se identificam com o gênero masculino nesses casos?

Ai que trabalheira repensar tudo isso, Gabriela!

E se eu te contar que não é difícil evitarmos a exclusão de pessoas com base em identidade de gênero, substituindo, por exemplo, o padrão masculino genérico comumente utilizado nas nossas construções gramaticais?

Quer exemplos? Simples, troque isso – por isso:

Diretor – Direção

Coordenador – Coordenação

Professores – Corpo Docente

Alunos – Estudantes

Colaboradores – Time ou Equipe

O Homem – A Sociedade

Os meninos – As crianças

Sejam bem-vindos – Desejamos boas-vindas

Fiquem tranquilos – Não se preocupem

Muito obrigado – Agradecemos

Todos – Todas as pessoas

Entendeu que não exige nenhuma grande habilidade a não ser força de vontade e vigilância tornar natural o uso dessas substituições? Sentir-se parte incluída na mensagem e com representatividade faz da vida em sociedade algo muito mais prazeroso e acolhedor. Topa praticar?

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