O que é um mundo perfeito pra você? Nossa intenção aqui é desconstruir a ideia de perfeição.

Se você acompanha nossas construções e oficinas há mais tempo, já deve ter ouvido a gente falar sobre a desconstrução do perfeito. Esse é um tema muito importante para Carlotas, pois tem como intenção a ressignificação da construção de ideias rígidas sobre padrões de beleza e estereótipos.

Umas das nossas premissas básicas para o desenvolvimento de um mundo mais empático e inclusivo é o questionamento sobre o que é ser perfeito. Mesmo bem intencionados, é comum que adultos ensinem desde muito cedo as crianças a diferenciarem e classificarem o que é “bonito” e “feio”, “bom” ou “ruim”, “certo” ou “errado”. É inegável o valor dessas distinções, uma vez que elas formam estruturas emocional e habilidades básicas de convivência social. O grande desafio é mediar essa construção de ideias abrindo espaço para o diferente. Como seria, por exemplo, permitir que não existisse apenas uma cor preferida? Que não fosse necessário ter um único melhor amigo? Ou então que não reforçássemos apenas as qualidades físicas que achamos mais bonitas no outro?

Carlotas nasceu dessa inspiração a partir de uma experiência incrível vivenciada pela Carla Douglass em 2011 (leia a história do Eric), e desde então, buscamos espaços para dialogar e experimentar novas formas de ver o mundo. Acreditamos que a experimentação, a prática e vivência integral das atividades lúdicas, ajudam as crianças e jovens a descobrirem caminhos inéditos para viverem no mundo. Umas das atividades que adoramos, é a construção do Mundo Perfeito. Ela pode ser feita de várias formas, como por exemplo, esse modelo descrito em nosso canal do youtube. Independentemente da adaptação feita, o importante é a mediação na direção do desenvolvimento de olhar mais flexível e acolhedor diante das diferenças.

Nesse último mês de maio, realizamos essa experiência com crianças de 6 turmas de 1º ano na escola EMEF Professor Laerte José dos Santos (Osasco) e com 5 turmas de 3º ano na EE Henrique Dumont Villares. Foram momentos de muita troca e uma grande oportunidade para treinarem a escuta e o respeito.

Cada um com seu canto e a imaginação correndo solta.

Acordamos que seria um momento para exporem o que realmente acham que seria um mundo perfeito, e a partir dessa experiência, dialogamos sobre o respeito, sobre cuidar do coletivo, inclusão, empatia e acolhimento. Perguntamos o que seria o mundo perfeito de cada um, algumas frases surpreenderam:

“No meu mundo perfeito não teria ninguém morando nas ruas.”

“No meu mundo perfeito todo mundo ia ser amigo.”

“No meu mundo perfeito o Bolsonaro não seria presidente.”

“No meu mundo perfeito choveria batata frita.”

“No meu mundo perfeito criança ia poder jogar futebol junto com os profissionais.”

“No meu mundo perfeito ia chover notas de 100 dólares, porque elas valem mais.”

“No meu mundo perfeito os pássaros iam voar livres.”

“No meu mundo perfeito não teriam humanos.”

“No meu mundo perfeito todos morariam em mansões.”

“No meu perfeito a gente já ia nascer inteligente e não ia ter escola.”

“No meu mundo perfeito a natureza é a coisa mais importante.”

“No meu mundo perfeito só existiria eu e a minha família.”

“No meu mundo perfeito ia ter muita pizza.”

“No nosso mundo perfeito (um grupo) ia chover dinheiro pra comprar quanto sorvete a gente quisesse.”

“No meu mundo perfeito não teria ladrão nem assassinato.”

“No meu mundo perfeito os políticos não iam roubar nosso dinheiro.”

“No meu mundo perfeito as pessoas não iam comprar tanto.”

“No meu mundo perfeito, eu teria um dinossauro de estimação.”

“No meu mundo perfeito, todos seriam cachorros.”

“No meu mundo perfeito não teria alagamento.”

“No meu mundo perfeito teriam vários campos de futebol.”

“No meu mundo perfeito teria pirulito gigante. Eles andariam pelas ruas.”

 


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