O Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de escravizados e sua Abolição foi escolhido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1998 para relembrar a revolta que aconteceu na noite de 22 para 23 de agosto de 1791 e desencadeou a Revolução do Haiti, acontecimento fundamental para a abolição do comércio transatlântico de pessoas escravizadas. O uso deste dia como um marco foi iniciado por alguns países, em especial o Haiti, em 1998, seguido pelo Senegal em 1999. Em 2001, a França também adicionou a data ao seu calendário.
Como forma de não apagarmos da memória e contarmos uma história que muitas vezes por conveniência não pertenceu à maioria da população brasileira, trago aqui o livro de Mario Aranha – Brasil Tumbeiro.
Nas palavras do autor: “Tumbeiro era um nome dado a um tipo de navio de pequeno porte, que fazia o tráfico transatlântico de escravizados da África para o Brasil, no período da escravidão. Assim era chamado, porque no trajeto, dada as péssimas condições a bordo, boa parte dos escravizados morria.”
Na obra, Aranha resgata o protagonismo de personalidades como os irmãos Rebouças, Machado de Assis e José Carlos do Patrocínio; relembra fatos históricos como o Quilombo do Leblon e a Revolta dos Malês; e dá destaque a heróis e heroínas como Zumbi, Ganga Zumba, Dandara e Thereza Benguela, figuras propositalmente apagadas da história e excluídas dos planos de cidadania do país.
O autor também estabelece uma reflexão sobre a continuidade da exploração: ontem, com pessoas escravizadas tratadas como mercadorias; hoje, com a mão de obra desqualificada por um sistema de ensino excludente e racista.
Ao abordar figuras históricas, movimentos de resistência e heróis esquecidos, Aranha reconstrói uma parte fundamental da história brasileira que, assim como a revolta de 1791 no Haiti, simboliza coragem, resistência e luta pela liberdade.
Tanto a data relevante quanto a obra convidam à reflexão sobre a importância de reconhecer o protagonismo das pessoas negras, dar visibilidade às suas contribuições e garantir que essas memórias não sejam apagadas, mas sim integradas à identidade e à cidadania do país.
Que possamos, neste dia, reconhecer e valorizar a luta e a resistência dessas pessoas e movimentos, resgatando suas histórias como parte essencial da memória coletiva. Lembrar é um ato de justiça e um compromisso para que a desigualdade e a opressão nunca mais se repitam.
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