Para transformar o mundo, é preciso antes transformar o modo como nos relacionamos

Se existe algo que Carl Rogers nos ensinou, e que continua atual, urgente e necessário, é que relações humanas não se sustentam sem autenticidade, empatia e escuta real.

E, convenhamos, tudo isso anda em falta. Vivemos tempos em que muitas conversas se tornaram disputas de narrativa. Queremos ter razão. Queremos ser ouvidos. Mas ouvimos pouco.

As palavras são lançadas como certezas absolutas, e a escuta virou um detalhe incômodo.

“A maior parte de nós escuta com a intenção de responder, e não de compreender.” – Carl Rogers

Mas o que aconteceria se, em vez de vencer debates, a gente se dispusesse a construir diálogos? Se, ao invés de defender certezas, nos permitíssemos encontrar sentido no que o outro enxerga?

Empatia é um ato de coragem.

A empatia, para Carl Rogers, é a capacidade de entrar no mundo do outro como se fosse seu, mas sem perder de vista a condição “como se”. E isso é uma das coisas que mais me toca no olhar dele. Essa conexão com a distância suficiente de não interferir. Se afetar mas não se misturar, respeitando a individualidade que nos é tão preciosa. É sentir com e não por alguém. É estar presente na experiência do outro com humildade e abertura.

A ideia de que empatia não é sobre consertar o outro, mas reconhecer em nós o sentimento que conecta com a dor do outro.

Relações não mudam porque o mundo muda. Elas mudam quando nós mudamos.

E isso exige vulnerabilidade e autorresponsabilidade. Reconhecer que não somos neutros, nem objetivos, nem racionais o tempo todo. Muito menos donos da verdade. O mundo que queremos começa na forma como tratamos uns aos outros. 

Não é segredo quanto sou fã do Roman Krznaric, um dos motivos é o convite que ele faz na utilização da empatia como uma ferramenta de mudança social. E ele está certo, não existe transformação social sem transformação relacional.

Não existe equidade, justiça ou inclusão se continuarmos operando com escuta seletiva, certezas impenetráveis e comunicação impositiva.

A mudança começa na conversa. E a conversa começa na escuta.

“A maior lição da empatia é que só vamos nos descobrir quando nos colocarmos no lugar do outro.” – Roman Krznaric

Aceitar o outro, escutar com empatia e se responsabilizar pelas próprias palavras é, talvez, um dos atos mais transformadores que podemos oferecer ao mundo hoje. Porque no fim, é das relações que somos feitos.

 

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