Um belo dia, um menino chamado Abstemar Caçapavana chegou da escola muito aperreado, chateado, um bocado irritado de tanto ouvir caçoarem de seu nome…
Colocou seu pai sentado e se pôs a perguntar:
Abstemar: Por que este é meu nome? Por que Abstemar? O que é Caçapavana?
Quando descobriu o porquê de seu nome, começou a explicar aos colegas da escola, que então deixaram de caçoar e debochar.
Abstemar percebeu que, quanto mais perguntasse, mais conhecimento teria. Só não sabia o seu pai quantas perguntas ainda viriam. Todo dia tinha uma novidade, uma pergunta mais cabeluda que a outra.
Pai: – Uma pergunta mais cabeluda que a outra, hein!
Abstemar: – Pergunta tem cabelo, pai?
Pai: – Usei uma hipérbole, Abstemar – disse o pai.
Abstemar: – O que é hipérbole, pai?
Seu pai lhe explicou. Mas tudo foi aumentando! Vejam essa lista (criar listas de perguntas bobas é bem próprio de criança):
Por que as unhas crescem?
Por que o cachorro abana o rabo?
Por que tenho que tomar banho todo dia?
Por que o céu é azul?
Por que o senhor tem barba?
Por que a gente não voa?
Por que existe o vento?
Por que o 10 vem depois do 9?
Por que eu tenho que ir à escola?
Por que o dia começa de dia e não de noite?
Por que a gente deixa de ser criança?
E foi nesta última pergunta que seu pai empacou! Ele parou, entalou… Na verdade, não conseguia responder. Mas lembrou-se de um livro, abriu em uma página e, pouco tempo depois, leu:
“A gente cresce porque as células se multiplicam por mitose, fazendo com que os tecidos aumentem de tamanho; logo, a pessoa cresce também. Esse aumento pode ocorrer também nos ossos ou na cartilagem, onde as células produzem substâncias que se depositam, originando novos tecidos.
Um dos motivos pelos quais crescemos é graças à hipófise, pois ela é responsável por produzir o hormônio do crescimento, fazendo com que nossos ossos, músculos etc. se desenvolvam.
Na infância, crescemos cerca de 6 centímetros por ano. Na puberdade, podemos crescer entre 10 e 12 centímetros por ano. No total, as meninas ganham uns 25 centímetros de altura, e os meninos, 28. Todas essas mudanças são provocadas pela ação dos hormônios e substâncias produzidas por glândulas localizadas em diferentes partes do corpo.”
O menino, com cara de quem não entendeu muito bem, foi descansar. No dia seguinte, disse ao pai que não acreditava em nada daquilo. E voltou a perguntar:
Abstemar: – Pai, por que a gente deixa de ser criança? Já se foram quatro dias, e o senhor me responde a mesma coisa: ossos, hormônios, cartilagem e “mitomose”…
Pai: – Mitose. (riu)
O pai de Abstemar finalmente achava que tinha entendido!
Pai: – De amanhã não passa!
Abstemar: – Por quê?
Pai: – Porque sim!
E no dia seguinte…
Era um domingo muito ensolarado, daqueles domingos em que dá vontade de ir ao parque, empinar pipa, correr descalço na terra, andar de bicicleta e implicar com os amigos. O pai de Abstemar acordou bem cedo e foi direto ao quarto do filho.
Abstemar: – Por que tão cedo? (bocejando)
Se arrumaram e saíram.
Abstemar não sabia para onde iam, mas sentia-se empolgado, elétrico, agitado! Saíram de casa e foram caminhando. Pensam que Abstemar deixou de perguntar?
Abstemar: – Pra onde vamos? Por que não me conta? Lá é legal? Tem aventura? Dá pra correr?
Chegaram então a um descampado. Um local aberto, que não é fechado, nem um pouco apertado!
Grama verde, muitas árvores!
O pai de Abstemar levou uma pipa bem bonita. O menino ficou muito empolgado e pediu ao pai se podia ser o primeiro a soltá-la. Seu pai deixou, e ali começou a explicar:
Pai: – Tá vendo como a pipa ficou bonita lá em cima? Quem te ajudou a levantá-la?
O menino disse que foi o vento, mas que o pai também tinha ajudado. Ele amava aquela sensação de liberdade! Era tão boa, tão boa, que ele soltava gargalhadas largas, deixando seu pai também risonho.
O menino deixou que o pai brincasse um pouco com a pipa. Foi então que o pai disse:
Pai: – Tá vendo essa linha? A pipa só está nessa direção porque estamos segurando ela por essa linha. É essa linha que liga a pipa a nós (o pai solta a linha, e a pipa revoa, indo para outro canto).
Abstemar: – Pai, a pipa! A pipa! – gritava o menino, desesperado.
Eles começaram a correr para tentar pegá-la. E, junto com eles, outros meninos e meninas corriam para alcançar o que chamavam de “pipa voada”.
Tentaram muito, mas não conseguiram pegar a pipa. Cansados de tanto correr, sentaram no gramado. O menino ficou surpreso com o pai.
Abstemar: – Pai, você ficou tão engraçado tentando pegar a pipa! Parecia uma criança. Pena que cresceu…
Pai: – Na verdade, meu filho, as crianças ficam para sempre dentro de nós. Aqui dentro (aponta para o peito) tem uma linha que às vezes se perde… Mas é ela que segura a criança para a gente puxar de volta.
Abstemar: – Ah! O senhor deixou a sua pipa ir embora… e a minha pipa também.
Pai: – Na verdade, eu não soltei. Tinha um monstro escondido atrás das nuvens. Ele veio e… inhac, cortou a linha!
Risos.
FONTE.:*citação científica (http://perguntaproseupai.blogspot.com/2012/07/porque-gente-cresce.html)
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