“Não faças aos outros aquilo que gostarias que te fizessem a ti. Os seus gostos podem ser diferentes dos teus.” — George Bernard Shaw.
Nesta caminhada com Carlotas, meu (nosso) trabalho transita entre estudar (pensar), incorporar (sentir) e viver (agir) a empatia. Quando começamos, em 2013, o tema não era tão conhecido. E, de lá para cá, esse terreno da empatia começou a ser habitado de diversas maneiras. Um lado muito positivo é que isso leva a busca de informação e reflexão para esse olhar empático nas relações. No entanto, há uma onda tratando a empatia de uma forma simplista e mecânica.
Depois destes anos todos estudando empatia, e tentando usá-la o máximo possível todos os dias, tenho certeza de que uma das coisas mais difíceis é exercitar. Posso listar tudo que empatia não é, o que já é um bom começo. Empatia não é gostar de todo mundo, não é concordar com tudo, não é garantia de que as relações serão fáceis, muito menos que você vai conseguir o que quer. De todas as coisas que empatia pode ser, a que talvez traduza melhor é que ela é uma ferramenta que nos ajuda a fazer a nossa parte para que as relações sejam mais saudáveis.
Aprendi com minha amiga querida Gabriele Garcia (fundadora do Think Twice Brasil) que ser empático(a) com as causas de pessoas minorizadas não é romantizá-las e, muito menos, despolitizá-las. Ser empático(a) é entender meu papel de atuação para ajudar a causa e ser útil no espaço que estou e com meu lugar de fala.
Nessa jornada, a única certeza que tenho é que “se colocar no lugar do outro” se torna uma definição pequena para o que essa competência abrange. Exercitar a empatia passa por diversos lugares e exige diferentes habilidades que conseguem materializar algo tão sutil e profundo.
Você provavelmente já escutou que empatia é se colocar no lugar do outro, ou calçar os sapatos do outro, certo? A empatia é simplificada a essa troca de sapatos que não considera tamanho e formato de pé, um exercício reducionista de pretender olhar o mundo do outro com nossos olhos.
Por isso, para evitar qualquer ruído de compreensão, quero deixar algumas reflexões que faço. Para começar é importante olhar para a clássica definição de “se colocar no lugar do(a) outro(a)” e entender se e como isso é possível. Gosto de pensar que empatia é o que nos faz conectar com a outra pessoa. Um exercício de projeção e imaginação para experienciar um pouco do que ela sente e pensa. Criar uma ponte entre os corações apesar de todos os desafios envolvidos. Achar aquilo que nos é comum para podermos nos aproximar e nos permitir enxergar e sentir o que o outro está passando.
É um exercício imaginativo, pois até podemos sentir algo muito próximo do que a pessoa está sentindo, mas sentir EXATAMENTE o que o outro sente é impossível. É importante desconstruir esta afirmação: “se colocar no lugar do(a) outro(a)”, para que a gente não persiga algo impossível, irreal e que pode se tornar pesado para você. Ela não está completamente errada, mas é muito simplista. Precisamos entender essa frase como um convite para você imaginar o mundo pela perspectiva da outra pessoa.
Criar uma conexão entre os corações, apesar dos desafios envolvidos, é um exercício que nos permite nos aproximar e compreender o que o(a) outro(a) está passando. Embora não seja possível sentir exatamente o que a pessoa está sentindo, podemos nos aproximar dessa experiência. Devemos entender essa frase como um convite para imaginar o mundo sob a perspectiva da outra pessoa.
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