Em tempos de muito discurso e pouca escuta, a comunicação tornou-se um desafio ainda maior e a empatia, mais do que uma habilidade, é um posicionamento.
No mundo corporativo, nas escolas, nas redes sociais e nas relações pessoais, o diálogo tem sido substituído por monólogos paralelos. Falamos, reagimos, defendemos, mas escutamos?
Como diz o psicólogo Carl Rogers, “a escuta empática é tão poderosa que pode transformar pessoas e contextos sem que uma só palavra seja dita em resposta.”
E é esse o convite da comunicação empática: criar espaço real para o outro existir.
Comunicação empática não é sobre evitar conflito, é sobre como atravessá-lo.
A Comunicação Não Violenta (CNV), desenvolvida por Marshall Rosenberg, é umas das ferramentas que nos ajuda a reorganizar nossa forma de se expressar. Ela propõe que toda comunicação possa ser feita com clareza e firmeza, sem agressividade, julgamento ou imposição.
Segundo Rosenberg, a CNV se baseia em quatro componentes:
- Observação: o que está acontecendo, sem misturar com julgamentos.
- Sentimentos: o que sentimos em relação ao que observamos.
- Necessidades: quais necessidades estão por trás desses sentimentos.
- Pedidos: o que gostaríamos que acontecesse, de forma concreta e possível.
Pode parecer simples, mas colocar em prática exige uma disponibilidade e intencionalidade que muitas vezes não estamos prontos para conseguir porque nos convida a sair do modo automático da comunicação reativa e entrar num espaço de escolha, conexão e intenção.
Nestes anos todos de estudo e trabalho (e muito exercício na vida real) de empatia, algumas atitudes me pareceram ser um bom caminho para começar essa jornada:
- Escuta ativa: não ouvir para responder, mas para compreender.
- Suspender julgamentos: lembrar que toda pessoa carrega um contexto que a gente não vê (aqui, em Carlotas, chamamos de modelo de mundo).
- Nomear sentimentos: dar nome ao que se sente traz clareza e desarma conflitos.
- Assumir responsabilidade: pelo que sentimos, pelo que dizemos, pelo impacto que causamos.
- Perguntar com curiosidade genuína: o tom da pergunta transforma a resposta.
- Acolher o silêncio: muitas vezes o vazio é desconfortável e tentamos preenchê-lo a qualquer custo, mas ele é importante e nos permite processar o que está sendo dito.
Como lembra Brené Brown, em A coragem de ser imperfeito:
“A empatia não é conectar-se ao sofrimento do outro. É conectar-se com o que eu sinto em mim que reconhece esse sofrimento.”
Na prática, ser empático não significa concordar com tudo, mas estar disposto a compreender o outro, é escolher o vínculo antes do argumento e lembrar que palavras não são neutras, elas podem construir ou romper, curar ou ferir.
Normalmente olhamos para os conflitos como abismos e embates, mas eles trazem a possibilidade do diálogo e ampliação do nosso olhar. Quando estamos numa relação, não importa de qual natureza (profissional ou pessoal), precisamos lembrar da nossa responsabilidade em conduzi-la.
Deixo aqui alguns livros que me ajudaram nessa jornada (e ajudam ainda hoje quando me perco no caminho):
- Comunicação Não Violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais – Marshall Rosenberg
- A coragem de ser imperfeito – Brené Brown.
- Um jeito de ser – Carl Rogers
- Inteligência Emocional – Daniel Goleman.
A empatia não é um fim, é um meio para construir pontes onde antes só existiam muros.
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