Você sabe diferenciar a autodescrição com a audiodescrição?
Autodescrição
É quando uma pessoa se descreve com suas próprias palavras, geralmente no início de uma apresentação ou evento, para promover acessibilidade para pessoas com deficiência visual.
Exemplo de uso: Em eventos inclusivos, palestrantes fazem autodescrição ao se apresentarem: “Sou uma mulher branca, de cabelos cacheados castanhos, uso óculos e estou vestindo uma camisa azul.”
Objetivo: Permitir que pessoas cegas ou com baixa visão possam formar uma imagem mental de quem está falando.
Audiodescrição
É um recurso de acessibilidade em vídeos, filmes, espetáculos e exposições, que narra elementos visuais importantes, como expressões, cenários, ações e figurinos.
Exemplo de uso: Durante um filme, uma voz em off descreve: “Ela caminha lentamente até a porta e sorri, segurando um buquê de flores.”
Objetivo: Ajudar pessoas com deficiência visual a compreenderem o conteúdo visual da obra.
Em resumo:
Autodescrição = pessoa se descrevendo (ao vivo ou gravado)
Audiodescrição = narração de elementos visuais feita por outra pessoa, em produções audiovisuais ou artísticas
Uma boa autodescrição é clara, respeitosa, objetiva e inclui elementos visuais relevantes que ajudam uma pessoa com deficiência visual a construir uma imagem mental de quem está falando. Aqui estão os principais pontos que definem uma boa autodescrição:
Contexto é tudo
A descrição deve trazer elementos visualmente marcantes ou que façam sentido para aquele ambiente (ex: evento, vídeo institucional, aula, etc.).
Elementos essenciais a incluir:
- Tom de pele (ex: pessoa branca, parda, negra, indígena)
- Características do rosto (ex: uso de óculos, barba, maquiagem)
- Cabelo (cor, comprimento, textura, como está preso ou solto)
- Traje/roupa (principalmente se estiver relacionado ao contexto do evento)
- Algum acessório ou elemento marcante (brinco, tatuagem visível, crachá)
- Cenário (se for relevante: “estou sentada em uma sala com parede branca ao fundo”, por exemplo)
Duração curta e objetiva
Idealmente entre 20 a 40 segundos. Não precisa descrever tudo, apenas o que ajuda na identificação.
Linguagem respeitosa e neutra
Evite julgamentos ou adjetivos que expressam opinião pessoal, como “estou bem arrumada” ou “bonita”. Foque no fato, não na opinião.
Tons e expressões naturais
A autodescrição deve ser parte fluida da fala, não algo robótico ou engessado.
Exemplo de boa autodescrição:
“Sou uma mulher branca, de cabelo castanho escuro, ondulado, na altura dos ombros. Uso óculos de armação preta e estou com uma blusa azul escura. Estou sentada em uma sala com uma estante de livros ao fundo.”
Ao adotar a autodescrição como prática cotidiana em eventos, aulas, reuniões e produções institucionais, ampliamos o acesso à informação e reafirmamos o compromisso com a inclusão e o respeito à diversidade. Pequenas atitudes, como descrever quem somos e o ambiente em que estamos, fazem grande diferença para que todas as pessoas possam participar de forma plena, autônoma e digna. A acessibilidade começa na comunicação e se fortalece quando é incorporada com naturalidade e intenção.
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