Neste mês, Fabiana Gutierrez e Carla Douglass dialogam sobre dois pilares fundamentais de Carlotas: Empatia e Respeito. Elas retomam uma conversa que começou em 2014. No início, o tema era pensado a partir do respeito e da tolerância, mas o aprofundamento sobre empatia trouxe uma importante mudança de perspectiva. A ideia de tolerância pode colocar alguém no lugar de quem “tolera” o outro, enquanto a empatia nos convida a estar verdadeiramente em relação.
Para Fabiana, empatia é muito mais do que “se colocar no lugar do outro”. É um exercício complexo, que envolve reconhecer que cada pessoa tem seus próprios recursos, histórias e dores. Como sintetiza: “Empatia é estar em relação com o outro.” Essa compreensão também dialoga com Carl Rogers, para quem empatia é “olhar o mundo pelos olhos do outro, e não enxergar apenas o nosso próprio mundo refletido nele”.
Ao longo da conversa, diferentes autores ajudam a ampliar esse conceito. A empatia envolve perceber o que o outro sente, compreender sua perspectiva e permitir-se ser afetado por essa experiência, sem deixar de reconhecer que somos indivíduos diferentes. Por isso, querer ajudar não significa necessariamente saber do que o outro precisa. A intenção pode ser genuína, mas a empatia está em buscar compreender aquilo que faz sentido para o outro naquele momento.
Brené Brown e Carolina Nalon também contribuem para essa reflexão ao mostrar que empatia não significa encontrar sempre as palavras certas, evitar conflitos ou simplesmente ser “fofo”. Muitas vezes, o que transforma é a conexão e a disponibilidade para estar com o outro, inclusive diante de situações difíceis. Ter empatia também exige coragem para sustentar conversas necessárias, estabelecer limites e reconhecer diferenças.
Carla traz ainda a imagem da empatia como “um músculo que pode ser exercitado”. Assim como desenvolvemos recursos para viver em sociedade e cuidar das relações, também podemos fortalecer nossa capacidade de perceber, compreender e nos conectar com o outro.
E onde entra o respeito? Para Fabiana, se conseguirmos reconhecer que o outro enxerga o mundo de uma maneira diferente da nossa, essa perspectiva precisa ser respeitada. Não significa concordar com tudo, mas reconhecer a existência e a legitimidade do outro.
Empatia e respeito caminham juntos: a empatia amplia nosso olhar e o respeito nos ajuda a construir possibilidades de convivência.
É nesse exercício cotidiano de compreender, dialogar, ser afetado e respeitar que esses dois pilares ganham sentido na prática de Carlotas.
Quer saber mais? Assista ao bate-papo na íntegra abaixo:
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