Iniciamos uma nova série de bate-papos. Nos próximos episódios, vamos seguir a conversa entre nós, time Carlotas. Nesse vídeo, Fabiana Gutierrez e Carla Douglass conversam sobre temas fundamentais para ampliar e fortalecer nosso letramento sobre relações mais respeitosas e inclusivas. E, para abrir essa jornada, trazemos uma pergunta que convida à reflexão: afinal, o que você entende por microagressão?
Esse conceito surgiu na década de 1970, em Harvard, a partir das observações do professor Chester Pierce, que, na época, era o único professor negro da universidade. Ele começou a perceber que alguns comportamentos sutis aconteciam apenas com ele. Anos depois, em 2007, um psicólogo formalizou a teoria das microagressões. Embora o conceito tenha surgido a partir da questão racial, ele também se aplica a outros grupos minorizados, que vivenciam situações semelhantes em diferentes contextos.
As microagressões são insultos verbais, atitudes e comportamentos que acontecem de forma cotidiana e aparentemente corriqueira, mas que geram hostilidade, depreciação e negatividade. Elas reforçam estereótipos e influenciam a maneira como essas pessoas são vistas e tratadas na sociedade. Nem todo mundo sofre microagressões. Esse conceito existe justamente para mostrar o impacto que comportamentos violentos, ainda que sutis, têm sobre grupos historicamente sub-representados. São atitudes que fazem com que essas pessoas sintam que não pertencem àquele espaço, duvidem da própria capacidade, deixem de evoluir profissionalmente e tenham sua autoestima afetada.
“Estar fora de um grupo é muito doentio.”
“A dinâmica do não pertencimento adoece as pessoas.”
De acordo com Fabiana, as microagressões costumam ser classificadas em três tipos:
- Microataque: manifestações mais diretas e explícitas de preconceito.
- Microinsulto: piadas, brincadeiras ou comentários que reforçam estereótipos e inferiorizam pessoas.
- Microinvalidação: atitudes ou falas que minimizam ou desqualificam a dor e a experiência do outro.
Para Fabiana, em alguns casos, a microagressão acontece sem intenção. “Fazemos porque determinados comportamentos foram normalizados e permitidos nos ambientes em que vivemos. O problema é que essas pequenas violências acabam limitando oportunidades para quem as sofre. Um exemplo são frases frequentemente direcionadas às mulheres, como: “Mulher não sabe dirigir”, “É histérica” ou “É fraca”. Esse tipo de comentário alimenta dúvidas sobre a competência das pessoas, reduz oportunidades e faz com que muitos tenham receio de ocupar determinados espaços”.
Como podemos ajudar tanto quem sofre quanto quem pratica uma microagressão?
Fabiana entende que, enquanto não desenvolvermos consciência sobre o tema, acabamos normalizando muitas dessas atitudes. Por isso, é importante estar atento, conviver com grupos diversos, buscar informação e ampliar o repertório. Quando uma microagressão acontece, é fundamental sinalizar e se posicionar para que a outra pessoa tenha a oportunidade de aprender. O desafio é que a microagressão nem sempre é fácil de identificar e, muitas vezes, até quem sofre não consegue nomeá-la.
“A microagressão é difícil de nomear, perceber e às vezes quem sofre também não percebe.”
No fundo, estamos falando sobre relações humanas e sobre a forma como nos comunicamos.
E quando a microagressão acontece durante uma reunião de trabalho?
Fabiana salientou a importância de intervir. Se não for possível naquele momento, vale conversar individualmente depois, partindo do princípio de que, muitas vezes, a pessoa não sabia que aquela fala ou comportamento era inadequado. O importante é explicar por que aquilo não foi positivo e abrir espaço para o aprendizado.
No ambiente profissional, esse cuidado é ainda mais necessário. Não por acaso, a atualização da NR-1 amplia o olhar para a saúde mental, um tema diretamente relacionado às microagressões e ao clima das relações de trabalho.
Mas o que diferencia a microagressão de outros tipos de violência?
Para Fabiana, microagressão está relacionada a comportamentos preconceituosos, racistas, machistas, capacitistas, LGBTfóbicos. O assédio é o fim da linha, pois ele é um comportamento inadequado que se repete ao longo do tempo.
E, no final da conversa, Carla deixa uma reflexão:
Qual é a microagressão que você ainda insiste em cometer, mesmo sem perceber?
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Quer saber mais? Assista ao bate-papo na íntegra abaixo:
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