Este é o segundo episódio de uma nova série de bate-papos entre o time Carlotas. Neste vídeo, Fabiana Gutierrez e Carla Douglass conversam sobre mais um tema fundamental para ampliar nosso letramento e fortalecer relações mais respeitosas e inclusivas: os vieses inconscientes.
O que são vieses inconscientes? São pensamentos e associações que surgem de maneira automática, sem que passem necessariamente por um processo consciente de reflexão. Nosso cérebro cria atalhos para interpretar informações e tomar decisões com mais rapidez e menos esforço. O problema é que esses atalhos podem ser incompletos ou equivocados e, muitas vezes, carregam preconceitos e estereótipos construídos ao longo de nossas experiências e também presentes na sociedade.
“Os vieses são atalhos mentais incompletos e equivocados”
— Fabiana Gutierrez
Imagine, por exemplo, que uma pessoa tenha uma experiência profissional negativa com um colega com deficiência e, a partir desse episódio, passe a evitar a contratação de outras pessoas com deficiência. Uma experiência individual é generalizada para todo um grupo, muitas vezes sem que esse processo seja percebido conscientemente.
Como, então, podemos evitar que esses atalhos determinem nossas escolhas? Um primeiro passo é prestar mais atenção às decisões que tomamos, principalmente àquelas que impactam outras pessoas. Também é importante desenvolver a capacidade de rever nossas opiniões, ampliar referências e conviver com pessoas diferentes de nós. Quanto mais diverso for nosso repertório de experiências e relações, maiores serão as possibilidades de questionarmos aquilo que consideramos uma verdade absoluta.
Durante a conversa, Fabiana e Carla também apresentam o conceito de modelo de mundo: cada pessoa interpreta a realidade a partir de suas próprias experiências, referências e percepções. Por mais verdadeira que uma perspectiva pareça para nós, ela é apenas uma entre tantas formas possíveis de compreender uma situação. Os vieses atuam justamente como filtros nesse processo e influenciam a maneira como enxergamos e nos relacionamos com as pessoas.
“É o pensamento que temos sem processamento. É onde moram todos os nossos preconceitos.”
— Carla Douglass
No ambiente corporativo, por exemplo, estereótipos podem nos levar a associar pessoas negras a funções operacionais ou mulheres a determinadas áreas profissionais. Por isso, ampliar nossas referências, conhecer outras trajetórias e reconhecer pessoas diversas ocupando diferentes espaços é fundamental para desconstruir essas associações.
Existem diferentes tipos de vieses. O viés de grupo pode fazer com que adaptemos nossas opiniões ou comportamentos para sermos aceitos e pertencermos a determinado grupo. O viés de afinidade tende a nos aproximar de pessoas que consideramos semelhantes a nós. Já o viés de confirmação faz com que busquemos ou valorizemos informações que reforçam aquilo em que já acreditamos.
Os vieses fazem parte dos nossos processos de pensamento, mas nossas atitudes não precisam ser determinadas por eles.
Podemos reconhecê-los, questioná-los e fazer escolhas mais conscientes.
Por isso, fica a dica deste bate-papo: questione seus pensamentos. Pergunte-se se está olhando para os fatos ou apenas confirmando uma ideia que já possuía. Reconhecer nossos vieses é um passo importante para transformar pensamentos automáticos em atitudes mais conscientes, respeitosas e inclusivas.
Quer saber mais? Assista ao bate-papo na íntegra abaixo:
Ou ouça a versão podcast aqui no Spotify:
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