Carlotas ganhou mais uma habitante, Nathalia!

Antes de me (trans)formar e saber psicóloga, fui e sou muitas: namorada, filha, amiga, irmã. Às vezes, sou pai, sou louca, sou uma e, ao mesmo tempo, muitas. Quem eu sou? Eu sou Nathalia. Me deram esse nome – sem me perguntar se eu queria. Dei sorte, gosto dele. Mas e a Nathalia, quem é? Clarice (Lispector) responde sobre Nathalia, e todas aquelas que a habitam “sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre”.

Quando tenho que me apresentar normalmente conto do que estudei. Mas, isto diz quem eu sou? Bem, isso diz do meu percurso profissional, ele também me fez e faz quem sou, mas não só. Quero poder contar, como diz Elis (Regina) “tudo que eu vivi e tudo que aconteceu comigo”. O dilema é que tentando contar tudo, não contarei nada. A Nathalia-psicóloga, e eternamente aprendiz, é quem conduzirá essa conversa focando em alguns de seus percursos e experiências. Mas não se preocupem! Muitos falam em nós o tempo todo e as portas seguem abertas para o diálogo.

A história que escolhi contar começa quando eu, em um almoço, recebi um convite delicioso para entrar e partilhar de um mundo que a princípio me era estranho: Carlotas. Carlotas? Será uma ou várias? Por que o nome dela estaria no plural? E quem mora em Carlotas é o que? Carlotense? Como ser curioso que sou, me vi intrigada e ansiosa para conhecer mais desse lugar cuja descrição mágica e maravilhosa parecia tão distante que eu não via a hora de chegar lá.

Qual não foi a minha surpresa ao perceber que aquele mundo mágico de alguma forma, não me era estranho, tão pouco estava distante. Na verdade, o mundo de Carlotas é o meu próprio mundo. Em mim, Carlotas é o nome de uma ponte: ela que conecta e me leva pelas águas, enxurradas e trovoadas do meu viver. Carlotas, é a confirmação de uma esperança que sempre tive: da aposta maior de ficar com os valores invisíveis e o valor das invisibilidades. Nós somos feitos da mesma matéria que são feitos os nossos sonhos. Percebê-los, construir e desconstruir sobre isso é um tema de poucos e para poucos.


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