Conflitos no território escolar: como prevenir, acolher e restaurar?

Adailza Barbosa, de Carlotas, sorri enquanto fala ao microfone em sala de aula durante o encerramento de uma atividade educativa. Ao fundo, uma projeção colorida exibe artes visuais com figuras humanas estilizadas.

O Programa ExploreCarlotas tem caminhado lado a lado com as Comissões de Mediação de Conflitos (CMCs) em escolas públicas de São Paulo, contribuindo para o fortalecimento dessa política pública fundamental. E em Osasco acompanhamos uma escola, apoiando a criação de Círculos de Diálogo.

Nosso papel é apoiar e fortalecer essa política pública, contribuindo para que cada escola desenvolva ações que promovam o pertencimento, a convivência respeitosa e o cuidado mútuo entre todos os(as) atores(as) da comunidade escolar.

Estamos atualmente na 3ª fase da nossa caminhada com as CMCs. Desde o início do ano, temos seguido uma linha do tempo colaborativa, respeitando o tempo de cada escola e valorizando a escuta como ferramenta de transformação. Nossa atuação tem sido estruturada da seguinte forma:

  1. Alinhamento com a gestão escolar: neste primeiro momento, comunicamos aos(às) gestores(as) que, neste ano, nosso foco e dedicação estaria voltado ao apoio direto às Comissões de Mediação de Conflitos. A proposta foi bem recebida, e, juntos(as), definimos o formato da atuação em 2025, de maneira personalizada e sensível ao contexto e às necessidades de cada escola.
  2. Escuta da Comissão: reunimos os(as) integrantes da Comissão de Mediação de Conflitos para compreender como percebem os conflitos e como atuam dentro da escola.
  3. A missão de escutar outras vozes: propusemos às Comissões que ouvissem outros membros da comunidade escolar, estudantes, professores(as), gestores(as), familiares e equipes de apoio (limpeza, cozinha, secretaria, portaria, manutenção). O objetivo foi ampliar o olhar sobre a convivência, identificando os principais desafios enfrentados no cotidiano da escola.

Após a coleta das respostas, estamos agora em um momento de diálogo com as Comissões, trazendo uma análise minuciosa dos dados levantados. Tem sido uma experiência potente acompanhar o envolvimento da comunidade escolar na escuta sensível, no reconhecimento dos desafios cotidianos e na disposição para construir coletivamente alternativas mais justas e respeitosas para o convívio escolar.

Acreditamos que o fortalecimento das Comissões de Mediação é um passo fundamental para promover relações mais saudáveis, acolhedoras e seguras entre estudantes, educadores(as), famílias e demais profissionais da escola.

Para apoiar esse processo, elaboramos um material com estratégias que podem ser aplicadas ao longo do ano, respeitando as particularidades de cada território e os desafios apontados pela comunidade escolar.

As práticas sugeridas neste material são:

  • Círculo de Diálogo
  • Assembleias Escolares
  • Conselho Mirim
  • Encontros com as Famílias
  • Campanhas de Sensibilização
  • Mediação de Conflitos

Além desse processo, o mês de junho também foi marcado por encontros significativos:

  • No dia 28 de maio, participamos do VI Grande Encontro das Comissões de Mediação de Conflitos da DRE Santo Amaro, promovido pelo projeto Respeitar é Preciso! (Instituto Vladimir Herzog), no Teatro do SESC Pinheiros. Com a presença de mais de 650 educadores(as), o evento trouxe a potente fala da filósofa Viviane Mosé e convidados.
  • Já no dia 10 de junho, estivemos no Encontro das Comissões da DRE Penha, onde o foco foi o fortalecimento da Rede de Proteção. A troca foi essencial para ampliar o conhecimento sobre os equipamentos públicos do território, seus fluxos de encaminhamento e o papel da escola na articulação dessas redes.
  • Para fechar o mês, no dia 26 de junho, pela manhã, participamos da XI Jornada Pedagógica da DRE Butantã com o tema: O Potencial Transformador da Escuta na Educação Infantil. O propósito deste encontro foi trazer nosso olhar para as narrativas infantis e a intencionalidade pedagógica. 

Seguimos acreditando que a escuta é um ato de cuidado, e que toda escola pode ser, com apoio, intenção e afeto, um espaço onde todos se sintam pertencentes, respeitados e ouvidos. 

Quer fazer ações com Carlotas?
Conheça nossas ações em Escolas e Instituições de Ensino.

 


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