O Dia Internacional das Pessoas Idosas, celebrado em 1.º de outubro, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de chamar atenção para questões relacionadas ao envelhecimento, aos direitos, à dignidade e à participação social das pessoas idosas. Essa discussão ganha ainda mais importância diante das mudanças demográficas que estamos vivendo.
De acordo com o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, “o número de pessoas com mais de 60 anos mais do que duplicou nos últimos trinta anos, atingindo 1,2 bilhões. Até 2050, mais 900 milhões de pessoas idosas farão parte da nossa família humana. Trata-se de uma profunda mudança demográfica, com consequências de longo alcance para as economias, os sistemas de saúde e a coesão social”. Essa transformação trazida por Guterres envolve também as relações familiares, os espaços de trabalho, as cidades, a educação e a própria maneira como compreendemos o curso da vida.
Uma sociedade que envelhece precisa também aprender a envelhecer.
Por isso, falar de envelhecimento é falar de uma responsabilidade compartilhada. É pensar em acessibilidade, cuidado, convivência, participação social, trabalho, cultura, educação, relações familiares e combate às diferentes formas de violência e discriminação.
Entretanto, é falar também sobre algo mais subjetivo: como cada pessoa vive a passagem do tempo.
Trarei aqui o livro “Escrita de uma Memória que não se apaga: envelhecimento e velhice”, de Angela Mucida.
Ela se propõe a pensar o envelhecimento a partir da ideia de uma escrita que acompanha a vida. Não somos uma história pronta que chega à velhice com todas as suas páginas preenchidas. Ao contrário, seguimos escrevendo, lendo e ressignificando aquilo que vivemos.
Para Angela, a memória não é apenas um arquivo do passado. Ela se relaciona com as lembranças, as escolhas, o corpo, a imagem que construímos de nós mesmos, os afetos, os vínculos e aquilo que cada sujeito faz com as marcas de sua trajetória. A autora apresenta a velhice como uma escrita do singular. Aquilo que torna cada história única.
E é aí que surge uma reflexão importante. Envelhecer é muito mais do que acrescentar anos à vida. É construir uma sociedade em que seja possível viver esses anos com dignidade, autonomia, pertencimento e relações de respeito. É também reconhecer a diversidade das formas de envelhecer, enfrentar o etarismo e criar espaços para que diferentes gerações possam se encontrar, aprender umas com as outras e construir novas memórias.
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