Dia Mundial da Educação: a escola como território de relações

Dia Mundial da Educação a escola como território de relações

No dia 28 de abril, celebramos o Dia Mundial da Educação, instituído em 2000 durante o Fórum Mundial de Educação em Dakar, como um marco de compromisso global com uma educação de qualidade, inclusiva e equitativa. Já escrevemos sobre essa data em 2025, mas abrir espaço de diálogo sobre esse tema é sempre necessário. Renovar inquietações é o que nos mantém vivos(as) e curiosos(as).

Além de uma data com marcos históricos importantes de serem reconhecidos, essa é uma boa oportunidade para uma pergunta que nem sempre nos fazemos com profundidade: o que é, de fato, uma boa educação?

Mesmo a gente abrindo espaços de diálogo com inúmeros profissionais da educação pública e privada diariamente, não é comum nos fazermos perguntas tão diretas. As nossas trocas permeiam rotina, compartilhamentos, dúvidas, desenhos de novos caminhos, sempre tanta coisa a ser pensada… que pouco tempo sobra para o essencial: que educação queremos e precisamos afinal de contas?

Durante muito tempo, associamos qualidade educacional a desempenho, conteúdo, resultados acadêmicos. E, claro, isso importa. Mas será que isso sustenta, sozinho, uma boa educação? Será que performance é mesmo a essência da educação de qualidade?

Se olharmos com mais atenção para o cotidiano das escolas, fica evidente que existe algo ainda mais estruturante: a forma como nos relacionamos, os afetos, as experiências. A escola é, antes de tudo, um espaço de convivência. Um espaço onde diferenças se encontram, onde conflitos aparecem, onde vínculos se constroem ou se rompem todos os dias. Nesse contexto, pensar em uma educação de qualidade passa, necessariamente, por pensar na qualidade dessas relações.

O que é necessário para criarmos condições para que estudantes, educadores e famílias se sintam seguros, reconhecidos e pertencentes nos espaços educacionais? Investir em uma cultura não violenta, uma cultura democrática e inclusiva exige MUITA intencionalidade.

Exige sair de uma lógica reativa, em que a escola atua apenas quando algo já deu errado, e caminhar para uma cultura em que o cuidado com as relações faz parte do cotidiano. Um cuidado que se expressa na forma como prevenimos situações de violência, na forma como acolhemos experiências e na forma como lidamos com os conflitos quando eles inevitavelmente acontecem.

Prevenir, nesse sentido, não é evitar conflitos, mas construir um ambiente em que eles possam ser elaborados antes de se tornarem violência. Acolher não é apenas ouvir, mas sustentar uma escuta que reconhece e dá direção. E restaurar não é voltar ao que era antes, mas criar a possibilidade de responsabilização e reconstrução dos vínculos.

Quando esses movimentos deixam de ser ações pontuais e passam a fazer parte da forma como a escola se organiza, algo muda. A convivência deixa de ser um problema a ser resolvido e passa a ser um eixo estruturante da experiência educativa.

E eu não vou arriscar em dar nenhuma resposta definitiva para o que é uma boa educação, mas também não vou deixar de partilhar uma convicção que já criou raízes em mim: educação de qualidade só existe no coletivo. Um espaço educacional potente depende de abertura para a diversidade, depende de gente capaz de conviver, de viver diariamente em relação, com responsabilidade, respeito e empatia. Esse, pra mim, é o “famoso inegociável”.

Em um momento em que tanto se fala sobre acesso e qualidade, o Dia Mundial da Educação também pode ser um convite para ampliarmos o olhar. Porque, no fim, educar não é só ensinar. É também cuidar de como nos tornamos quem somos, juntos(as).


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