Empatia: a arte de se colocar no lugar do outro

EMPATIA: Uma palavra tão interessante e, ao mesmo tempo, tão complexa que hoje ainda nos causa determinados questionamentos, pelo grande uso que a mesma vem tendo. Ela se trata de um substantivo feminino que, de acordo com o Dicionário Aurélio, empatia significa “A capacidade psicológica para se identificar com o eu do outro, conseguindo sentir o mesmo que este nas situações e circunstâncias por esse outro vivenciadas. Ato de se colocar no lugar do outro”.

A empatia acaba sendo definida como uma resposta emocional que deriva da percepção do estado ou condição de outra pessoa, desde que congruente com essa situação (Eisenberg & Strayer, 1987). Consiste também no compartilhamento de uma ou várias emoções percebidas por outra pessoa, sentindo ou tentando sentir a mesma que ela. Claro, também se trata de algo muito diferente da simpatia ou, até mesmo, da angústia pessoal.

O desenvolvimento da empatia é considerado por alguns autores como relacionado à expressividade emocional (Roberts & Strayer, 1996). Está associada diretamente com a habilidade para experienciar e expressar emoções positivas e também negativas. As crianças que crescem experimentando as emoções como medo, tristeza e felicidade, que conseguem reconhecer e também aceitá-las, acabam por ter um manejo melhor da sua raiva durante suas interações sociais e tendem a ser mais empáticas (Roberts & Strayer, 1996).

Socializar as emoções é de extrema importância, pois a partir das experiências afetivas das crianças com seus pais e irmãos, por exemplo, elas aprendem a lidar com seus sentimentos e também a expressá-los (Eisenberg, Fabes, Schaller, Carlo, & Miller, 1991). Garner, Jones e Miner (1994) referem que o apoio dos pais diante das emoções negativas dos filhos facilita a regulação da emoção e o reconhecimento das emoções de outros em diferentes contextos, ou seja, auxilia os pais nesta caminhada inicial das crianças para se tornarem um adulto mais empático. As crianças tendem a se comportar de uma maneira construtiva e demonstrar competência social quando elas aprendem a regular suas emoções e, assim, facilitando até a construção de vínculos e amizades. (Eisenberg, Fabes, & Murphy, 1996).

A empatia tem um grande poder de revolução, não uma mera revolução de leis, de políticas públicas ou de formar governanças, mas sim de uma revolução nas relações humanas. Sabe aquela famosa frase: “Faça para os outros o que gostaria que fizessem para você”? Isso não é empatia, isso são desejos seus que você supõe que coincidem com o desejo do próximo. Pessoas têm gostos diferentes e relações diferentes. Empatia é saber valorizar estas diferenças. É enxergar o próximo com as lentes dele, com as formas dele. Caso contrário, pode se misturar com sentimentos de piedade e até mesmo egoísmo.

Se você agora conseguir dar este salto imaginário do que é empatia, com certeza podemos vislumbrar uma sociedade mais justa de TODOS E PARA TODOS, e claro uma construção juntos e com inúmeras mãos que possuem responsabilidade social.

Referências:

ISBN 978-85-240-4074-0. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da língua portuguesa. 5.

Eisenberg, N., Fabes, R. A., Guthrie, I. K., Murphy, B. C., Maszk, P., Holmgren, R., & Suh, K. (1996). The relations of regulation and emotionality to problem behavior in elementary school children. Development and Psychopathology, 8, 141–162.

Eisenberg, N., Fabes, R. A., Schaller, M., Carlo, G., & Miller, P. A. (1991). The relations of parontal characteristics and practices to children’s vicarious emotional responding. Child Development, 62, 1393–1408.

Larsen, R. J., & Diener, E. (1987). Affect intensity as an individual difference characteristic: A review. Journal of Research in Personality, 21, 1–39.


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