É que o corpo guarda um tanto de coisa que a cabeça nem sabe.
Enquanto se é metade, tudo se torna vazio.
Alguém me disse uma vez: é preciso dançar pra ser inteira.
Que bobeira.
Um dia eu dancei escondida de mim.
Eu escondi meu corpo do ritmo de coração nascido aqui, no peito.
Que bobeira.
Eu gritei pelas pernas, chorei pelos braços.
Abri a garganta pelos pés… suada, molhada, o nu me rasgando as roupas, me abrindo o peito.
Outro dia dancei mais um pouco.
Que vergonha.
Escondida do mundo, eu dancei, dancei, dancei, dancei, dancei, dancei, dancei de não me ver mais.
Eu dancei tanto que eu sumi, virei vento, sem forma, pensamento, me tornei um vazio cheio.
Eu sorri por dentro, pra que ninguém me visse sorrindo por dançar; mesmo sozinha na sala, me senti vigiada.
Que bobeira.
Eu sozinha Dei xan do o
qua
dril
se
Sol
tar
Alguém me disse uma vez: é preciso dançar pra ser inteira.
Que bobeira.
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