Escuta e Protagonismo na Mediação escolar

Foto Capa Setembro EMEI Dinah Galvão

“Mais do que uma técnica, a Mediação é uma arte do encontro, ocasião em que todos põem mãos à obra para o cultivo do jardim comum. Nesse momento, retoma-se a medida do conflito, toma-se distanciamento, permite-se a apropriação das possibilidades criadoras pessoais. É uma cultura social e política, uma arte de ser com o outro.” Jean François Six

No dia 23 de setembro celebramos o Dia do(a) Mediador(a) de Conflitos. O Programa Explore Carlotas parabeniza os(as) mediadores(as) que integram a Comissão de Mediação de Conflitos Escolar, reconhecendo a importância de seu trabalho. Acreditamos que contar com esse grupo é uma estratégia essencial para melhorar a convivência nas escolas, já que atuam na prevenção de conflitos, no acolhimento de situações delicadas e na restauração das relações. Fortalecer a comissão significa investir em uma cultura de paz, escuta e corresponsabilidade dentro da comunidade escolar. Neste mês, os grupos realizaram círculos de diálogo e conselhos mirins, além de mais de 30 encontros online voltados ao planejamento e acompanhamento das ações estratégicas definidas para cada escola.

Foto EMEI Alexandre Correia Círculo de Diálogo

Elaboramos um pequeno percurso com base nos princípios metodológicos que orientam as ações de mediação no cotidiano escolar. Eles fazem parte do caderno intitulado Mediação de Conflitos que integra a terceira edição do conjunto de publicações do Projeto Respeitar é Preciso. Trabalhamos com o primeiro princípio – Escuta Qualitativa. Escutar qualitativamente é mais do que apenas “ouvir palavras”. Significa abrir espaço para compreender a pessoa em sua totalidade — sua história, sua cultura, seus afetos e seu jeito único de ver o mundo. É uma escuta que não busca culpados, mas sim entendimento. É dar tempo para a outra pessoa falar sem pressa ou interrupção. É fazer perguntas que aprofundam a compreensão. É reconhecer que trazemos histórias e repertórios que precisam ser respeitados. A partir desta explicação, trouxemos perguntas e um caso prático para aprofundarmos a escuta do(a) mediador(a).

As novidades não param por aí! Neste mês, estivemos presentes na I Jornada do Ensino Fundamental e EJA da DRE Butantã. Foi um momento de grande significado para o nosso time. Dialogar sobre “Empatia na Educação” em um espaço que, pela primeira vez, se abriu para acolher as escolas de EMEF e EJA nos trouxe a sensação de inaugurar caminhos, de participar de um marco importante para a rede. Levamos ao encontro a reflexão sobre como a empatia pode ser um eixo estruturante no cotidiano escolar, especialmente em tempos de tantos desafios relacionais. Falamos sobre respeito à diversidade, sobre os diferentes modelos de mundo que convivem na escola, e sobre como esse olhar pode transformar não apenas a convivência, mas também o próprio clima escolar.

O encontro foi ainda mais especial pela presença das EMEFs Perimetral e Maria Antonieta D’Alkimin Basto, Profª., que compartilharam relatos de práticas pedagógicas profundamente potentes. Escutá-las foi testemunhar a força do protagonismo juvenil e a beleza de projetos que reconhecem estudantes como sujeitos ativos de suas trajetórias. Esses relatos revelam que a escola pode ser um espaço vivo, de criação coletiva, onde as narrativas e os contextos de vida dos(as) estudantes são respeitados e valorizados.

Acreditamos nessa educação que se constrói com os(as) estudantes, não apenas para eles(as). Uma educação que acolhe, que integra e que aposta na potência de cada voz para tornar a escola mais diversa, humana e criativa. Participar dessa jornada foi reafirmar nossa convicção de que é possível e urgente fortalecer práticas que cultivem empatia, respeito e vínculos verdadeiros dentro das escolas.

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