Gosto de ver gente linda! Mas vejam!
Estou falando de belezas únicas, daquelas que descortinam a assimetria de rostos e corpos, revelam sorrisos da alma e a sensibilidade de ver e narrar o mundo de modo singular.
Pessoas assim rasgam as cartilhas dos bons modos e deixam o corpo vibrar, desenhando para nós sua real natureza. Sabe aquela beleza que ensolara o espaço, de modo único, construindo trajetórias, pintando graça no invisível, tornando o instante um poético palpável? Amo!
Essas pessoas são obras de arte que se desenham no espaço por um olhar penetrante, no mexer dos ombros, nos movimentos das curvas, no andar, na forma de parar, de virar, de falar, de sorrir… a sinuosidade dos corpos singulares, cada um com seu tom, sopro, fogo. Um negócio inexplicável que nos faz dizer: “Essa pessoa tem uma coisa que nem sei o que é, mas ela é linda!”
Tem gente que me faz feliz só de observar. Gente linda é uma religião sagrada e comprometida com a vida. É pulsante. É Deus em si… É um mergulho, um existir por inteiro, faz jus às menores partículas do corpo. Os lindos fazem felizes suas células no templo de pele, ossos, falanges, cílios, língua, pelos, cheiro… Gente linda sinaliza “tô aqui” sem nem falar, e, quando fala, é um caminho para o orgasmo.
É um estado de presença, de presente, de coisa bonita, um coração latejando, um pulso, um pulo, um susto, um tiro certeiro no coração. Amo as peculiaridades de quem se arrisca em aguçar a beleza de ser (humano) e ser desesperadamente feliz.
Ser feliz é mais lindo que o próprio “lindo” do senso dito comum. Esses aí, os falsos lindos, que sorriem pobremente! Estéticos, estáticos, sem graça, sem marcas, embaçados, repetidos, repetidos e repetidos…
Gosto também da lindeza de gente livre. Essa beleza, então, te exige mais ar, porque te faz suspirar mais profundamente, te causa mais taquicardia pela incerteza do pertencimento. O lindo livre suscita várias emoções… me rouba a noção de propriedade e me dá opções de mundo. Nada mais interessante que sair da minha órbita.
Mas preciso dizer que gosto da liberdade comprometida com a amorosidade de que o outro existe, da escuta atenta, do abraço em silêncio, enquanto ouço o pulsar dos corações e o ritmo da respiração. Esses são lindos de viver, de morrer, de rever, de ouvir… São belos andarilhos que captam para si a beleza de tudo que também voa livre.
Acho que me tornei uma curiosa de pessoas lindas!
Gostou do texto: “Eu Amo Gente Linda”?
Leia também: