Crianças, adolescentes e telas: uma janela de oportunidade para debates e precauções

Se você esteve na internet nos últimos dias, você deve ter se deparado com o vídeo – ou alguém falando sobre ele – do influenciador Felca, onde ele expõe casos de adultização e sexualização de crianças e pré-adolescentes na internet. O vídeo viralizou, alcançando mais de 35 milhões de visualizações no YouTube e 100 milhões no Instagram.

O conteúdo sobre “adultização” de crianças mobilizou o poder público a tramitar mais de 30 projetos de lei sobre o tema, com diferentes propostas e vieses.

No âmbito das ciências comportamentais, há um termo chamado “janela de oportunidade” em que, a partir de um acontecimento ou fato, há uma enorme mobilização e discussão, de temas que mesmo já conhecidos e discutidos, ganham uma visibilidade exponencialmente maior.

A partir do vídeo do Felca, muito começou a se discutir sobre os cuidados que devemos ter ao expor crianças e adolescentes na internet, quais medidas os pais devem tomar e como educar essa geração que está cada vez mais conectada.

Alguns dados nos ajudam a entender a relevância do assunto. Conforme o Relatório Digital 2024, o Brasil é o segundo país que mais acessa internet no mundo, com uma média de 9h13 diárias, apenas atrás da África do Sul. A TIC kids Brasil é uma pesquisa que coleta indicadores que caracterizam o uso e acesso à internet por crianças e adolescentes.

Na edição de 2024, constatou-se que 76% de crianças e adolescentes de 9 a 17 anos usam redes sociais, cerca de 40% consomem conteúdos no Tiktok e YouTube e 63% no Instagram.

Em 2025, o governo federal lançou o Guia sobre o uso de dispositivos digitais por crianças e adolescentes. É um documento oficial com análises e recomendações sobre o tema, baseado em pesquisas científicas e inteiramente comprometido com a construção de um ambiente digital saudável e seguro para este público.

No ambiente escolar, além do uso de tecnologias estar restringido a práticas pedagógicas, a divulgação de imagem de crianças é protegida pela Lei Geral de Proteção de Dados, feita somente mediante autorização prévia de pais e responsáveis. É importante também que estes cuidem da exposição de menores em redes sociais, para que as imagens divulgadas não circulem e não sejam manipuladas por terceiros. Além disso, conheçam os mecanismos de controle parental, para o uso das redes sociais e internet por parte deste público.

Ambas as partes são responsáveis pela educação midiática das crianças e jovens, para que eles e elas conheçam os mecanismos, regras e riscos presentes no ambiente virtual. Mas isso é tema para um próximo texto.

 

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