No mês de abril, Fabiana Gutierrez, CEO e sócia fundadora de Carlotas, e Andréa Rissardo, sócia de Carlotas, conversaram com Guibson Trindade, comunicólogo, mestre em administração e governança, pesquisador e ativista com mais de 20 anos de atuação nas agendas de justiça social, equidade racial e transformação organizacional. Professor convidado na Fundação Dom Cabral e conselheiro do CIEDS, é também cofundador e gerente executivo da Associação Pacto de Promoção da Equidade Racial.
A conversa abordou a empregabilidade de jovens a partir do recorte racial. Pensar em sociedade é, necessariamente, falar de juventude e, no Brasil, é fundamental reconhecer que as juventudes são atravessadas por diferentes camadas sociais, muitas vezes desconsideradas na construção de soluções.
Nesse contexto, surge uma questão central: qual a importância de trazer o recorte racial para esse debate? O Pacto de Promoção da Equidade Racial, em parceria com a Fundação Itaú, lançou um estudo que revela alguns dados sobre os recortes de juventude para diagnosticar as falhas, ausência e necessidades.
Os resultados apontam que a inclusão produtiva da juventude negra tem avançado, especialmente como reflexo das políticas de cotas, com destaque para o aumento significativo no acesso à pós-graduação. Ainda assim, os desafios permanecem evidentes.
Como afirma Guibson: “Os principais desafios sobre raça e escolaridade ainda estão relacionados ao acesso à renda, à taxa de desemprego e à exclusão”.
O racismo estrutural segue operando de forma perversa. Muitas empresas ainda não estão preparadas para absorver essa mão de obra, já que suas estruturas não estão acostumadas a receber e reconhecer lideranças negras. A criação de programas afirmativos é um caminho possível, mas insuficiente por si só. Não haverá avanço consistente na agenda de inclusão sem o entendimento de que o recorte racial, no Brasil, é uma pauta essencial.
Falar de jovens dentro das organizações exige, portanto, ir além das cotas. É preciso transformar discurso em prática. Isso passa por garantir intencionalidade nas ações, já que, muitas vezes, não há clareza sobre quantos jovens serão efetivamente inseridos. Também envolve o desenvolvimento de programas mais completos, que incluam mentorias, formação complementar como cursos de idiomas e estratégias que fortaleçam o senso de pertencimento, evitando a evasão ao longo do processo.
Como sintetiza Guibson: “Não precisamos inventar a roda, mas usá-la de maneira diferente.” Afinal, o mercado formal de trabalho ainda não aceita as pessoas como elas são e nós somos pretos.
Por fim, ele reforça que a diversidade não é uma concessão, mas uma estratégia essencial: “Diversidade garante a operação das empresas, aumenta o consumo interno do país e garante que as pessoas negras sejam consumidoras dos produtos. Isso não é uma questão de favor, e sim de visão de futuro, de transformação da realidade de uma grande massa que ainda está excluída por simples falta de movimento.”
Quer saber mais? Assista ao bate-papo na íntegra abaixo:
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