Livres para Sonhar? Uma pesquisa sobre violências nas escolas

Livres para Sonhar Uma pesquisa sobre violências nas escolas

Promover a equidade de gênero na educação significa garantir que meninas e meninos tenham as mesmas condições de aprender, se desenvolver e projetar seus futuros sem que estereótipos, discriminações ou violências limitem suas trajetórias. No entanto, quando a violência baseada no gênero (VBG) atravessa o cotidiano escolar, a promessa de igualdade e de oportunidades se fragiliza. 

É nesse contexto que a pesquisa “Livres para Sonhar? – Percepções da comunidade escolar sobre violência contra meninas” se insere, ao analisar como a VBG se manifesta nas escolas brasileiras e de que forma é percebida por professores(as), gestores(as) e estudantes. O estudo foi realizado pela organização suprapartidária e sem fins lucrativos Serenas que atua para prevenir as Violências Baseadas no Gênero no Brasil. 

A investigação combinou métodos qualitativos mediante entrevistas e grupos focais em diferentes regiões do país e quantitativos, a partir de um questionário respondido por 1.383 docentes, permitindo compreender tanto as experiências individuais quanto os padrões mais amplos que impactam a construção de uma educação verdadeiramente equitativa.

O estudo parte de um dado preocupante, pois meninas seguem expostas a diferentes formas de violência desde a infância, e a escola, que deveria ser espaço de proteção, muitas vezes reproduz desigualdades e discriminações.

Embora conflitos como brigas, xingamentos e bullying sejam amplamente reconhecidos no ambiente escolar, a violência baseada no gênero (VBG) é raramente mencionada espontaneamente como um problema central.

Racismo e capacitismo aparecem com maior visibilidade nas falas iniciais, enquanto situações de VBG tendem a ser naturalizadas ou invisibilizadas

Outro ponto importante ocorre na percepção de violência de gênero, ou seja, situações mais explícitas, como compartilhar imagens íntimas de meninas ou fazer comentários sexuais sobre seus corpos, são amplamente reconhecidas como VBG. Já práticas mais sutis, como estereótipos de gênero, controle sobre vestimentas ou “elogios” que reforçam padrões, são menos identificadas como violência.

As entrevistas revelam ainda que o conceito de “violência baseada no gênero” (VBG) não é plenamente compreendido por todos(as). A maioria associa o termo apenas a casos extremos, como agressão física ou abuso sexual, o que contribui para a subnotificação de situações cotidianas de assédio, sexualização e discriminação.

A pesquisa destaca ainda desafios estruturais para o enfrentamento da VBG na educação, como resistência ao tema, falta de preparo de docentes, ausência de protocolos claros e carência de diretrizes institucionais

Em síntese, o estudo evidencia que a violência baseada no gênero está presente no cotidiano escolar, ainda que muitas vezes invisibilizada. Reconhecê-la, nomeá-la e enfrentá-la é condição fundamental para garantir o direito à educação em um ambiente seguro, equitativo e livre de violências para toda a comunidade escolar.

 


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