Masculinidades possíveis

Masculinidades possíveis 157

Muito se fala sobre como o machismo estrutural é prejudicial às mulheres, mas raramente se discute as consequências aos homens que também são socializados sob esse mesmo sistema e lógica. Desde cedo, aprendem que precisam performar uma certa masculinidade para serem aceitos socialmente, internalizando e reproduzindo padrões que moldaram gerações e continuam influenciando homens de todas as idades.

Mas o que significa “ser homem”? A masculinidade, assim como qualquer identidade social, é uma construção cultural e histórica. Em diferentes épocas e lugares, a ideia de ser homem assumia formas distintas: na França do século XVIII, por exemplo, envolvia o uso de maquiagem, perucas elaboradas, meias-calças e roupas que hoje seriam consideradas femininas, mas que eram símbolos de status e poder masculino. Essas expectativas mudam conforme o tempo, o espaço e a cultura, evidenciando que masculinidade não é uma essência natural, mas um conjunto de normas, valores e comportamentos aprendidos e reforçados socialmente.

De maneira geral, na sociedade ocidental do século XXI, ainda vemos uma construção rígida do que é ser homem relacionada a uma performance de força, conquista e controle. Desde cedo, meninos recebem mensagens claras sobre o que é aceitável ou esperado de um “homem de verdade”. Chorar é visto como fraqueza, pedir ajuda como incapacidade, e demonstrar vulnerabilidade como desvio. A imagem do provedor, garanhão e destemido domina filmes, livros, propagandas e todo imaginário social. Nesse contexto, não é exagero dizer que muitos homens internalizam essas expectativas e vivem sob constante pressão para performar.

A masculinidade tradicional impõe custos altos. Estudos têm nos mostrado que homens são menos propensos a procurar ajuda para saúde mental, têm taxas mais altas de suicídio e de violência, e enfrentam dificuldade em criar vínculos profundos e saudáveis. A repressão emocional e a necessidade de se provar podem gerar ansiedade, depressão e isolamento. Além disso, essas expectativas impactam as relações pessoais e familiares, dificultando conexões autênticas e parcerias equitativas.

Felizmente, tem-se observado uma movimentação da sociedade no sentido de reconhecer que existem múltiplas maneiras de ser homem, valorizando e explorando a fragilidade, o cuidado, a empatia e a parceria. Homens que expressam sentimentos, dividem responsabilidades domésticas, se cuidam e questionam estereótipos estão mostrando que força não está na ausência de vulnerabilidade, mas na capacidade de agir com consciência e empatia. Na mídia, exemplos de atores, atletas e influenciadores que desafiam padrões de virilidade. No ambiente de trabalho, líderes que praticam escuta ativa e valorizam o bem-estar emocional inspiram equipes mais engajadas e humanas. Nas relações pessoais, a abertura para diálogo e afeto redefine laços e cria espaços seguros para todos.

Assim, repensar e desafiar padrões postos não é uma responsabilidade exclusiva dos homens, mas de todos nós. Construir formas mais saudáveis de masculinidade contribui para a redução da violência, fortalecimento da saúde mental, consolidação de vínculos mais profundos e promoção de ambientes mais justos e acolhedores. A transformação está em curso e é essencial que assumamos não apenas o papel de usufruir dessas mudanças, mas de incentivá-las e cultivá-las. Precisamos compreender que existem inúmeras formas de ser quem somos e que nenhuma delas é errada.

Seguir nossas vontades, explorar nossa autenticidade e se permitir sentir é libertador, mas, acima de tudo, plenamente humano.


Gostou do artigo: “Masculinidades possíveis”?

Leia também:

MOBILIZAÇÃO DOS HOMENS PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRAS AS MULHERES

COMO TRABALHAMOS

Raça e Etnia

Letramento racial por meio da arte: do entendimento histórico às práticas antirracistas no trabalho. Reconhecidas com o Selo Igualdade Racial, apoiamos empresas a sair do discurso para a estrutura.

COMO TRABALHAMOS

Empregabilidade de Jovens

Preparamos times e lideranças para receber e desenvolver jovens diversos — do acolhimento à mentoria. Tema conectado ao nosso compromisso com o Pacto Nacional pela Inclusão Produtiva das Juventudes.

COMO TRABALHAMOS

Pessoa com Deficiência

Trabalhamos o capacitismo e a acessibilidade atitudinal com experiências de mudança de perspectiva. O grupo vivencia, conversa e aprende linguagem e práticas inclusivas para construir um ambiente onde todas as pessoas pertencem.

COMO TRABALHAMOS

Saúde Mental e Atualização NR-1

Riscos psicossociais explicados de forma clara e humana, à luz da nova NR-1. Rodas de diálogo, check-ins de bem-estar e práticas de cuidado que fortalecem uma cultura de saúde mental no trabalho.

COMO TRABALHAMOS

Voluntariado Empresarial

Capacitamos voluntários com nossa abordagem lúdica para atuar com crianças, jovens e comunidades. Uma experiência que transforma quem recebe — e, como contam nossos clientes, também quem doa.

COMO TRABALHAMOS

LGBTI+

Letramento sobre identidades de gênero e orientações com arte e diálogo, sem julgamentos. Construímos juntos ambientes seguros, de respeito e pertencimento — na prática, não só no discurso.

COMO TRABALHAMOS

Combate ao Assédio

Criamos um espaço seguro para uma conversa difícil: as diferenças entre assédio moral e sexual, os limites no dia a dia e os caminhos de escuta e denúncia. Prevenção com clareza, empatia e alinhamento às exigências da NR-1.

COMO TRABALHAMOS

ESG | Sustentabilidade

O S do ESG ganha vida com vivências sobre responsabilidade social e os 5Rs da sustentabilidade — com a nossa personagem Dona Terra. Conectamos práticas ambientais e sociais ao cotidiano de cada equipe.

COMO TRABALHAMOS

Equidade de Gênero

Dados, histórias e diálogo facilitado sobre equidade: liderança feminina, maternidade, divisão invisível do trabalho. Signatárias dos WEPs (ONU Mulheres), levamos o tema do conceito à mudança de comportamento.

COMO TRABALHAMOS

Vieses Inconscientes e Microagressões

Por meio de vivências artísticas e provocações lúdicas, tornamos visíveis os atalhos mentais que todos carregamos. Em diálogo facilitado, o grupo aprende a reconhecer microagressões no cotidiano de trabalho — e ganha ferramentas práticas para interrompê-las com respeito.

Se quiser saber mais sobre nossos projetos ou se tiver interesse em contribuir de alguma forma com conteúdo alinhado ao nosso propósito ou ideias, envie-nos uma mensagem que entraremos em contato com você o mais rápido possível!.