Falar sobre mulheres e meninas na ciência é falar de acesso e oportunidade. Embora a curiosidade não tenha gênero, o caminho até a ciência ainda apresenta muitas barreiras. Desde cedo, meninas recebem menos incentivo para experimentar, arriscar e ocupar espaços de protagonismo, o que impacta diretamente sua relação com o conhecimento científico.
A ausência de referências femininas, os estereótipos de gênero e as expectativas sociais fazem com que muitas meninas não se reconheçam como possíveis cientistas. Esse afastamento não acontece por desinteresse ou capacidade, mas por um conjunto de mensagens e práticas que se repetem ao longo da trajetória escolar. Por isso, a escola tem um papel central. É nela que essas barreiras podem ser questionadas e transformadas.
No Brasil, instituições como a Fiocruz reforçam que ampliar a presença de mulheres na ciência é fundamental para produzir respostas mais éticas, diversas e conectadas com a realidade social. A própria Fiocruz desenvolve o programa Mulheres e Meninas na Ciência, que dá visibilidade a pesquisadoras e propõe ações educativas, além de vídeos institucionais que podem ser utilizados em rodas de conversa e atividades pedagógicas nas escolas.
Outro exemplo potente é o Meninas na Ciência, que aproxima meninas da ciência por meio de linguagem acessível, divulgação científica, oficinas, rodas de conversa e conteúdos digitais. O movimento apresenta cientistas como pessoas reais, com dúvidas, erros e descobertas, fortalecendo o sentimento de pertencimento. Seus vídeos e materiais online são recursos importantes para trabalhar o tema em CEIs, EMEIs, EMEFs e EJAs, inspirando estudantes a se reconhecerem como produtoras de conhecimento.
Para que mais meninas se sintam encorajadas a entrar no mundo da ciência, a visibilidade de mulheres cientistas é essencial. Ver, conhecer e reconhecer trajetórias reais amplia o repertório, fortalece o pertencimento e ajuda a romper estereótipos. Nesse sentido, compartilhamos um material lúdico e educativo desenvolvido pela UNESCO, o Jogo da Memória – Mulheres na Ciência, que apresenta cientistas brasileiras e internacionais por meio de narrativas acessíveis e inspiradoras. O material pode ser utilizado em diferentes etapas da educação básica e na EJA, como recurso para rodas de conversa, projetos investigativos e práticas pedagógicas que valorizam a diversidade na ciência.
Levar essas experiências para as escolas, seja por meio de vídeos, relatos, projetos investigativos ou rodas de conversa, é fundamental. A ciência começa no brincar, na observação e nas perguntas do cotidiano. Incentivar meninas e mulheres na ciência passa por valorizar perguntas, permitir o erro, estimular a investigação coletiva e apresentar referências diversas que ampliem horizontes.
Celebrar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é mais do que lembrar uma data. É reafirmar o compromisso da educação com a equidade e com a democratização do conhecimento, mostrando que quando a escola cria espaço para a curiosidade, ela transforma o presente e amplia futuros possíveis.
E a sua escola, que caminhos tem criado para que meninas e mulheres se reconheçam como produtoras de conhecimento?
Quais ações, projetos ou práticas pedagógicas já existem ou podem ser construídos coletivamente?
Compartilhe conosco essas experiências e ajude a ampliar essa rede de práticas, referências e inspirações que fortalecem meninas e mulheres na ciência dentro e fora da escola.
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