Não ataque o inimigo errado

Algumas pessoas já me disseram que gostam muito da forma como eu falo sobre antirracismo, que é esclarecedora, mas sem ninguém se sentir um lixo no final da conversa e sim com desejo de agir.

Acredito que há diferentes formas de abordar o tema, cada pessoa tem seu jeito de o fazer e todos os jeitos são válidos. O meu jeito é assim: respeitando a pessoa que está me ouvindo. Não faço isso querendo me passar pela “negra aceita”, mas compreendendo profundamente o momento em que estamos vivendo.

Estamos num momento de grande aprendizagem. Nós nunca tivemos a oportunidade de ter essas conversas sobre racismo e antirracismo, de aprender sobre relações étnico-raciais. Nós nunca fomos educados a olhar de perto para como o racismo nos atravessa, nunca haviam nos solicitado para refletirmos sobre como aprendemos e reproduzimos cotidianamente o racismo.

“Por isso o que eu falo não é pessoal, é estrutural. O racismo é estrutural. Não podemos perder o foco. O foco é o racismo, a mira é o racismo e não as pessoas.”

Isso não significa que passo pano para racistas. “Jamé”, como diz minha mãe. Quando é preciso falar de forma enfática e assertiva, faço com prazer e respeito, pois entendo que essa também é uma forma de educar, (algumas pessoas aprendem pelo amor e outras pela dor).

Mas não vou lacrar com frases de efeito que não educam e só causam distanciamento, não, não contem comigo para isso. Antes de tudo, sou uma educadora e meu foco é fazer com que todos entendam como o racismo devasta a dignidade de toda a sociedade.

Falando manso, rindo às vezes, respeitando o processo de cada pessoa. É assim que eu sei educar. Acreditando que a educação é um processo e que quando todos se respeitam, há oportunidade de transformação, de se tornar antirracista.

E você? Gosta da forma como faço essa educação antirracista?


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