Neha empurra seus problemas e aborrecimentos para o lado e não os encara

Neha é uma menina que veio da Índia, o segundo país mais populoso do mundo. Ela nasceu e cresceu em uma casa com muitos irmãos e primos, os vizinhos também vinham visitar com frequência. Com isso, sua casa nunca estava vazia, sua mãe não tinha tempo para ela e seus problemas se misturavam com os problemas dos outros irmãos. Neha nem se abalava. Ela se entendia como parte do coletivo e percebia que suas preocupações, as vezes, não valiam de nada naquela casa. Afinal, a prova de biologia era importante para ela – que queria ser bióloga – mas não tão relevante para o Jude, seu irmão que tinha terminado o namoro e chorava o dia todo.

Mas será mesmo que seus problemas eram tão desimportantes? Ou era a maneira que ela comparava seus problemas com os dos outros? Ela parecia empurrar suas preocupações para o lado e não pensava muito naquilo. Assim, passou a prova de biologia, passou aquela espinha na cara, o seu namoro que terminou e ela nem se abalou porque não achou importante aquela dor no peito.

Mas, muitas vezes, à noite, na cama, esperando o sono chegar ela chorava baixinho, sentia falta de alguma coisa que não sabia bem o que era. Uma mão ajeitando sua coberta? Um beijinho na testa e um passar de mãos em seu cabelo? Um olhar mais direto nos seus olhos? Não sabia, nunca tinha recebido nada dessas coisas. Parecia estranho sentir falta do que não conhecia, mas ela sentia alguma coisa que fazia seu olho criar lágrimas e o ar faltar no peito, com isso a fazia chorar.

Desde que a conheço vejo a Neha como uma mulher forte e feliz, mas gostaria também de conhecer suas fraquezas e aborrecimentos, mas ela não os divide comigo. Acho mesmo que ela não divide esses nem com ela mesma.


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