O que aprendi com meus alunos da Fundação Casa

De janeiro a abril deste ano, eu tive a oportunidade de participar de uma iniciativa da Escola de Impacto que me impactou profundamente: ministrar aulas para jovens da Fundação Casa. No início dessa jornada, eu ficava extremamente emotiva ao ver adolescentes cheios de expectativas e sonhos ali naquele lugar, a cada fechada de câmera, uma lágrima rolava, era um mix de revolta com o desejo de mudar aquela realidade.

Aos poucos fui compreendendo que nós estávamos realmente mudando algo: a cada aula, a cada encontro, eu sentia a empolgação deles e a minha alegria em poder compartilhar um pouco do meu conhecimento nos assuntos abordados (educação política, educação financeira, racismo, desigualdade social, direitos humanos, ESG, entre outros), o que me enchia de alegria.

Com o passar das aulas também acalmei um pouco o meu coração, pois eu e eles fomos compreendendo que aquele era apenas um momento da vida deles e não a vida deles, e que se pudéssemos refletir sobre o passado, poderíamos todos, eu e eles, escrevermos novas histórias!

Uma das atividades que eles produziram no curso foi a escrita de manchetes de jornal fictícias, utilizando o conhecimento que obtiveram nas aulas e claro, a vivência deles. Tivemos produções que falaram sobre falta de moradia, desigualdade social, dificuldade financeira, racismo, bullying, pessoa com deficiência, suicídio, educação, construção de bibliotecas, entre outros.

Ao ver o trabalho escrito pelos meninos logo tive a ideia de transformar tudo aquilo em uma edição de telejornal, em que os jovens eram os repórteres das notícias. Tudo foi apresentado como surpresa para eles na última aula do curso. Eles adoraram o telejornal e me agradeceram pelo tempo que dediquei fazendo o vídeo… lágrimas rolaram novamente. A imagem é um frame do vídeo. (não posso publicar o vídeo para preservar o nome dos nossos jovens repórteres).

Para a última aula do curso também preparei uma retrospectiva do que vivemos, e, achando que eu sabia de alguma coisa, separei uma música bonita para incentivá-los na caminhada…

No meio da aula, logo aprendi que era muita pretensão de minha parte achar que sabia qual era a música que poderia incentivá-los. Rapidamente, mudei os planos e deixei que eles guiassem essa parte “motivacional” da aula. Virei DJ da turma e finalizamos o curso ao som de MC Neguinho do Kaxeta feat MC Leozinho ZS – Faltou o Fiel (KondZilla) e MC Lele JP – Eu Sou Mais Um Favelado Que Veio Do Pouco.

Regada a lágrimas, agradeci a oportunidade de conhecê-los e disse que para mim eles representam a esperança. E para você, o que adolescentes internos da fundação casa representam?


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