o que é entropia e o que ela pode nos revelar?

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Você já percebeu como, em algumas empresas, mesmo com ações de bem-estar, as pessoas seguem exaustas, adoecendo ou pedindo para sair?

Em muitos casos, o problema não está no colaborador ou nas ações pontuais, mas na cultura organizacional e, especialmente, naquilo que ela insiste em não ver.

Como psicóloga, com anos de vivência em grandes empresas, tenho refletido cada vez mais sobre como a cultura impacta diretamente a saúde mental das pessoas. E como os riscos psicossociais estão muitas vezes normalizados no dia a dia corporativo.

Cultura não é o que está nas apresentações de PowerPoint ou nos comunicados bem elaborados. É o que se vive nos corredores e o que se sente aos domingos à noite.

A cultura molda comportamentos, conversas e decisões. Ela pode favorecer segurança psicológica, reconhecimento e autonomia ou reforçar medo, controle excessivo e silêncio.

Está na forma como líderes se posicionam e naquilo que toleram.

Existem empresas que promovem campanhas de saúde mental em setembro, mas cujas lideranças ainda operam sob o lema “quem não aguenta, pede para sair”. E outras que dizem valorizar o equilíbrio, mas premiam o excesso.

Esse desalinhamento cobra um preço alto.

A organização do trabalho importa e muito.

Segundo o modelo de Christina Maslach, os riscos para o Burnout estão ligados a fatores como:

  • Sobrecarga crônica
  • Falta de reconhecimento
  • Baixa autonomia
  • Valores desalinhados

Todos profundamente conectados à cultura.

Quando falamos em saúde mental no trabalho, precisamos ir além do cuidado individual e das ações pontuais e olhar para como o trabalho é organizado e sustentado culturalmente.

E o que a entropia tem a ver com isso?

A metodologia do Barrett Values Centre permite identificar a entropia organizacional, ou seja, quanto de energia está sendo desperdiçada com comportamentos limitantes, como:

  • Culpa
  • Burocracia
  • Rivalidade
  • Medo
  • Necessidade de controle

Quanto maior for a entropia, maior o sofrimento silencioso nas equipes. Mais conversas não ditas. Mais esgotamento disfarçado de alto desempenho.

Muitas vezes, o RH investe em benefícios, escutas e ações pontuais… Mas, sem atuar na cultura, os sintomas voltam. Ou migram para outras áreas.

Embora a nova redação da NR-1 ainda não tenha entrado em vigor, o debate já evidencia que riscos psicossociais são organizacionais, não apenas individuais. Ignorá-los é fechar os olhos para uma parte essencial do ambiente de trabalho.

Cuidar disso exige coragem para rever práticas, políticas e, principalmente, o que está sendo reforçado na cultura.

O primeiro passo é reconhecer (e medir).

  • Compreender o que realmente está sendo vivido no dia a dia e não apenas o que está escrito nos valores institucionais e nos manifestos de cultura.
  • Mapear incoerências, identificar pontos de desgaste e entender o nível de energia desperdiçada com conflitos, burocracias e silêncios.
  • Criar espaços seguros de conversa é parte essencial desse processo.

Esses são movimentos potentes para quem deseja construir uma cultura que sustente a saúde mental de verdade.

Porque saúde mental não se promove só com acesso à terapia ou ações de descompressão, e sim com coerência, alinhamento de valores e um olhar comprometido com a forma como o trabalho é vivido no dia a dia.

Quer fazer parte da construção de uma cultura que realmente sustente a saúde mental? 

Esse é um convite para refletir e começar por dentro, com um olhar cuidadoso e verdadeiro.

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