Se o Sol, sendo apenas um, ilumina a imensidão, quero ser Sol
Se a chuva abranda o calor, quero cair do céu feito gota terra adentro
Se a gota é pequena, junto às outras cobrimos a montanha
Se na sombra repousam os cansados, o silêncio, o erro e o mato, quero ser o escuro
Se o mar gera alimento, prazer e paz, quero ser salgada, profunda e feroz.
Se querer for muito, sou o muito de quem não pôde ser.
Se me assumir for vida, sairei falando o meu nome a cada ser que encontrar.
Falarei às folhas, com as pedras, com os gafanhotos e com a minha cabeça.
Essa sagrada, saltada do ventre, a primeira no mundo em choro de liberdade
E se o tempo carregar o saber, quero ser o menor ponteiro do relógio, marcando o passo mais lento da vida
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