REFLEXÕES SOBRE MERCADO DE TRABALHO E NEURODIVERSIDADE

Em 21 de outubro de 2023, participei, junto com Francisco Paiva Jr., Marcos Petry e outras pessoas que atuam na inclusão de pessoas autistas no mercado de trabalho, da 1ª Conferência Municipal do espectro autista, realizada na Câmara Municipal de São Paulo. O evento foi organizado pelo vereador do município de São Paulo, Coronel Salles.

Aqui cabe lembrar que a diversidade, a equidade e a inclusão devem estar na pauta de todos os partidos políticos. Fujam de partidos que não abordam essas pautas. Fica a dica!

Queria destacar alguns pontos que mais me chamaram a atenção na mesa sobre Empregabilidade de Pessoas Autistas. Marcos Petry, uma das pessoas que muito nos inspira e traz sua vivência enquanto pessoa autista que busca maior qualidade de vida para as pessoas neurodivergentes no Brasil, trouxe algumas contribuições preciosas. Marcos relatou sua experiência em um processo seletivo para busca de emprego em uma empresa. Ele comentou que a selecionadora que recebeu seu currículo explicou que seu perfil era excelente, com idiomas como inglês, alemão e sueco, mas que a vaga disponível era apenas para cumprir cotas, e assim, seu perfil era muito elevado para a vaga em questão.

As empresas podem ter vagas para perfis em início de carreira, mas também devem contemplar vagas para pessoas com habilidades e experiência que possam trabalhar em posições de maior complexidade e liderança.

Francisco Paiva Jr. comentou que um dos maiores desafios na inclusão é conscientizar as empresas sobre o potencial que as pessoas autistas possuem e como elas podem contribuir para a performance e para resultados das organizações. Paiva indicou ainda que o foco que devemos ter na contratação de pessoas neurodivergentes deve estar nas habilidades e no potencial de cada pessoa e não nas dificuldades de interação e comunicação.

Um ponto sobre mercado de trabalho que também nos chamou muito a atenção, foi a fala de Denise Rocha, sobre mães atípicas e suas dificuldades em permanecer no mercado de trabalho ou conseguir uma colocação profissional que permita conciliar trabalho e as necessidades de seus filhos autistas. Denise referiu que esse recorte de gênero é muito importante, pois na maioria das vezes, os cuidados necessários são realizados pelas mães e elas não conseguem o apoio necessário das empresas, seja flexibilizando horários, permitindo o home office, aceitando justificativas quando acompanhando terapias etc. Aqui, cabe ressaltar que podemos pensar em projetos de geração de renda para mães atípicas que não conseguem uma colocação profissional que contemple suas necessidades.

Tanto Emanuel Santana quanto eu abordamos os benefícios que temos ao contratar as pessoas autistas. Falamos, sim, do talento das pessoas, mas reforçamos que, em primeiro lugar, as pessoas têm o direito de entrar no mercado de trabalho, fazerem uma carreira e permanecerem nas empresas em que se sintam bem!

Para isso, necessitamos de empresas mais inclusivas, onde os processos seletivos sejam acessíveis às pessoas autistas e com outras neurodivergências. O RH pode ser o principal aliado na inclusão, mas também pode ser o principal vilão, caso não crie processos seletivos acessíveis para todas as pessoas, independentemente de deficiência ou de outras condições.

Também comentei que as empresas que têm programas de diversidade, equidade e inclusão, sem a contratação de pessoas autistas e com outras neurodivergências, têm programas limitados e incompletos de diversidade. Não me venham falar de ESG — do inglês: environmental, social and governance (ambiental, social e governança, em português) — se não olham para o social e se seus processos de contratação não têm acessibilidade.

E, para finalizar estas rápidas reflexões, tivemos a participação de três torcidas organizadas de pessoas autistas: os Autistas Alvinegros, Autistas Tricolores (aqui meu coração bate mais forte, sou são-paulino) e os Autistas Alviverdes. Todas as torcidas juntas e reforçando que o time da inclusão é um só. Nos estádios dos grandes times do estado de São Paulo e em alguns outros estados, estão sendo criadas salas sensoriais para pessoas autistas, o que é muito elogiável. Mas, que tal esses times também passarem a contratar trabalhadores autistas?

Quem não contrata pessoas autistas e com outras neurodivergências está desperdiçando talentos!!!

Esse texto foi publicado na Revista Autismo Pg 24 – Ano X – No 23 – DEZ/JAN/FEV 2024

Gostou do texto: “Reflexões sobre Mercado de Trabalho e Neurodiversidade”?


Gostou do artigo: “REFLEXÕES SOBRE MERCADO DE TRABALHO E NEURODIVERSIDADE”?
Leia também:

Grupos de Afinidades – Aliados na Neurodiversidade

COMO TRABALHAMOS

Raça e Etnia

Letramento racial por meio da arte: do entendimento histórico às práticas antirracistas no trabalho. Reconhecidas com o Selo Igualdade Racial, apoiamos empresas a sair do discurso para a estrutura.

COMO TRABALHAMOS

Empregabilidade de Jovens

Preparamos times e lideranças para receber e desenvolver jovens diversos — do acolhimento à mentoria. Tema conectado ao nosso compromisso com o Pacto Nacional pela Inclusão Produtiva das Juventudes.

COMO TRABALHAMOS

Pessoa com Deficiência

Trabalhamos o capacitismo e a acessibilidade atitudinal com experiências de mudança de perspectiva. O grupo vivencia, conversa e aprende linguagem e práticas inclusivas para construir um ambiente onde todas as pessoas pertencem.

COMO TRABALHAMOS

Saúde Mental e Atualização NR-1

Riscos psicossociais explicados de forma clara e humana, à luz da nova NR-1. Rodas de diálogo, check-ins de bem-estar e práticas de cuidado que fortalecem uma cultura de saúde mental no trabalho.

COMO TRABALHAMOS

Voluntariado Empresarial

Capacitamos voluntários com nossa abordagem lúdica para atuar com crianças, jovens e comunidades. Uma experiência que transforma quem recebe — e, como contam nossos clientes, também quem doa.

COMO TRABALHAMOS

LGBTI+

Letramento sobre identidades de gênero e orientações com arte e diálogo, sem julgamentos. Construímos juntos ambientes seguros, de respeito e pertencimento — na prática, não só no discurso.

COMO TRABALHAMOS

Combate ao Assédio

Criamos um espaço seguro para uma conversa difícil: as diferenças entre assédio moral e sexual, os limites no dia a dia e os caminhos de escuta e denúncia. Prevenção com clareza, empatia e alinhamento às exigências da NR-1.

COMO TRABALHAMOS

ESG | Sustentabilidade

O S do ESG ganha vida com vivências sobre responsabilidade social e os 5Rs da sustentabilidade — com a nossa personagem Dona Terra. Conectamos práticas ambientais e sociais ao cotidiano de cada equipe.

COMO TRABALHAMOS

Equidade de Gênero

Dados, histórias e diálogo facilitado sobre equidade: liderança feminina, maternidade, divisão invisível do trabalho. Signatárias dos WEPs (ONU Mulheres), levamos o tema do conceito à mudança de comportamento.

COMO TRABALHAMOS

Vieses Inconscientes e Microagressões

Por meio de vivências artísticas e provocações lúdicas, tornamos visíveis os atalhos mentais que todos carregamos. Em diálogo facilitado, o grupo aprende a reconhecer microagressões no cotidiano de trabalho — e ganha ferramentas práticas para interrompê-las com respeito.

Se quiser saber mais sobre nossos projetos ou se tiver interesse em contribuir de alguma forma com conteúdo alinhado ao nosso propósito ou ideias, envie-nos uma mensagem que entraremos em contato com você o mais rápido possível!.