Nem de menino, nem de menina

Muitas vezes ouvimos as frases “isto é de menina” ou “isto é de menino”. Quando falamos de esporte, não é muito comum ver meninas jogarem futebol ou lutar boxe. Assim como não é comum ver os meninos em aulas de sapateado ou dança. Mas será que existe mesmo essa separação?

Em julho, acabou a Copa Moleque Travesso de Futebol Sub-13 (para meninos de 12 anos a 13 anos), com a participação do time feminino do Centro Olímpico de São Paulo. Como não existe campeonato de futebol feminino para essa idade, o primeiro desafio foi ter abertura para participar do evento com os meninos.

Elas não só jogaram como ganharam a Copa. No entanto, tiveram que ouvir os comentários dos garotos (e, infelizmente, de alguns pais) tentando justificar a derrota dizendo que não jogaram para valer para não machucar as meninas.

Matéria para crianças

Será que tem mesmo essa coisa de menino e menina? E os brinquedos? Bambolê, bola, boneca, carrinho, corda, moto e panelas. Todo mundo pode brincar junto? Afinal, brincar é se divertir, explorar, sonhar e aprender sem limitações. Sem se preocupar se é azul ou rosa, se é de menino ou de menina. E se pensamos nas profissões, existe algo que define se é para homens ou mulheres? Presidente de empresa (por que não de um país?), policial ou astronauta. Acabamos associando algumas profissões a mulheres, como professora e recepcionista, e outras aos homens, como engenheiro e motorista. A realidade é que não existe profissão exclusiva para homens ou para mulheres. Aceita o desafio de pesquisar sobre as profissões?

Durante uma semana, observe quantos homens e mulheres você vê nas seguintes profissões:

• Motorista de táxi ou ônibus
• Professor
• Balconista de loja
• Policial
• Caixa de supermercado

Matéria para educadores

Quantas vezes repetimos “isto é de menina” ou “isto é de menino”. Estamos acostumados a rotinas, cores, profissões que separam homens de mulheres. A reflexão da coluna para as crianças é trazer mais leveza e realização nas escolhas, principalmente no brincar.

Por meio da brincadeira, a criança se comunica, se expressa, explora o mundo a sua volta, o reconhece, assimila as experiências e incorpora comportamento e valores. Acessa seus medos, dúvidas e angustias, reproduz sua realidade e elabora suas conclusões de forma lúdica, já que conscientemente seria difícil traduzir em palavras.

Brinquedos de ação e construção, por exemplo, treinam habilidades espaciais, resolução de problemas e encorajam crianças a serem ativas. Já os brinquedos que focam no desempenho de papéis e em teatro de pequena escala permitem a prática de habilidades sociais. Por isso, não podemos limitar e separar essas experiências tão importantes do brincar.

O mesmo acontece em relação aos esportes, separando as meninas dos meninos, não apenas na hora de jogar mas também em modalidades diferentes. Não é muito comum meninas jogarem futebol ou lutarem boxe. Assim como não é comum ver os meninos em aulas de sapateado ou dança. Mas será que existe mesmo essa separação ou nós que a produzimos?

Isso se reflete futuramente na escolha das profissões. Atualmente, as mulheres ocupam apenas 29% dos trabalhos em profissões ligadas a ciências, tecnologia, engenharia e matemática. Acabamos associando algumas profissões a mulheres, como professora e recepcionista, e outras aos homens, como engenheiro e motorista. A realidade é que não existe profissão exclusiva para homens ou para mulheres.

A proposta dessa reflexão é trabalhar com os alunos as escolhas, o que impede ou limita. Sugerimos trabalhar com os alunos as brincadeiras, esportes e profissões.

Brincadeiras

Listar com eles as brincadeiras que cada um mais gosta. A partir daí, conversarem se há alguma que é só de menino ou menina. Peça para que escolham uma ou duas brincadeiras para que brinquem juntos, de preferência uma que normalmente classificamos como “de menino” / “de menina”.

Esportes

Assim como nas brincadeiras, estimule que eles compartilhem quais esportes praticam ou gostam. Será que há esportes somente de menino ou de menina? Peça para eles dizerem quais atletas (homens e mulheres) eles conhecem em cada esporte. Se não conhecerem, podem pesquisar e trazer depois, por exemplo.

Algumas sugestões de esporte: futebol, taekwondo, judô, box, bmx, atletismo, basquete, sapateado, natação, vôlei, halterofilismo e automobilismo.

Profissões

Mais uma vez, crie com os alunos uma lista de profissões e pensem se há mais homens ou mulheres em cada uma delas e o porquê. Então, peça para que eles observem durante uma semana quantos homens e mulheres encontram nas profissões que listaram. Nas profissões que perceberam que é predominantemente masculina ou feminina, peça para que conversem com um homem e uma mulher que desempenha a função. Estabeleça com os alunos algumas perguntas que poderiam fazer, como: ­

Por que você acha que tem mais homem / mulher na sua profissão?

Como você se sente trabalhando num ambiente majoritariamente masculino / feminino? ­ Você já se sentiu discriminado?

Conte para nós a que conclusão você chegou pelo e-mail carlotas@carlotas.com.br.


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