Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização e prevenção do suicídio promovida no Brasil pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). No dia 10 de setembro, é celebrado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, mas esse é um tema que precisa encontrar espaço para diálogo e cuidado durante todo o ano.
Em 2026, o tema internacional proposto para o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio segue sendo “Mudar a narrativa sobre o suicídio”, acompanhado pelo convite “Comece a conversa”. A proposta chama atenção para a importância de romper silêncios, enfrentar estigmas e criar condições para que as pessoas possam falar sobre sofrimento e buscar apoio.
No site oficial da campanha, podemos encontrar dados atualizados, diretrizes de como divulgar a campanha, cartilhas informativas e muito mais. Fortalecer o nosso conhecimento sobre o assunto pode mudar nossa forma de cuidar, além de ser o exercício de nossa responsabilidade cidadã com a proteção à vida, sejam quais forem os papéis que exercemos na sociedade.
Falar pode ser um primeiro passo.
O suicídio é uma questão complexa de saúde pública e mais presente do que muitas vezes imaginamos. Segundo dados atualizados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo (dado da OMS, republicado em 2025). Para cada uma dessas mortes, muitas outras pessoas realizam tentativas ou vivenciam pensamentos suicidas.
Não existe uma causa única para o suicídio. Questões relacionadas à saúde mental podem estar presentes, mas fatores sociais, culturais, psicológicos, biológicos e ambientais também fazem parte dessa realidade. Situações de perda, luto, isolamento, discriminação, conflitos nas relações, dificuldades financeiras, violência e abuso, entre outras experiências, podem aumentar a vulnerabilidade ao sofrimento.
Por isso, falar sobre prevenção também significa olhar para os contextos em que as pessoas vivem e para algo que está no centro das ações que realizamos em Carlotas: as relações.
A maneira como cuidamos uns dos outros pode mudar vidas.
Pessoas expostas à violência, ao bullying, à discriminação, à exclusão ou ao isolamento podem vivenciar impactos importantes em sua saúde mental e emocional. Da mesma forma, pertencimento, vínculos significativos, possibilidade de pedir ajuda e acesso a redes de apoio podem contribuir para a construção de contextos de maior proteção.
É por isso que dialogar sobre saúde mental nos espaços de convivência, como escolas, empresas, famílias e outras instituições, faz parte dessa jornada de cuidado. Quando construímos ambientes em que as pessoas podem compartilhar dificuldades sem serem julgadas como frágeis, incapazes ou fracas, e sem terem suas dores minimizadas, ampliamos as possibilidades de acolhimento e de busca por ajuda.
Prevenir não significa assumir individualmente a responsabilidade pelo sofrimento de outra pessoa. Significa construir uma cultura em que possamos perceber, escutar, acolher e conectar as pessoas às redes de apoio efetivas.
Informação também é cuidado.
Nem sempre sabemos como começar uma conversa sobre suicídio ou como agir diante do sofrimento de alguém. Por isso, buscar informações seguras e responsáveis é fundamental.
O Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio disponibiliza gratuitamente diversos materiais que podem apoiar esse caminho, abordando temas como comunicação segura sobre suicídio, saúde mental de adolescentes e jovens, prevenção, posvenção, autolesão, diversidade e saúde mental e primeiros socorros emocionais. Acesse os materiais aqui.
Outra referência importante é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso. Pelo telefone 188, pessoas de todo o Brasil podem conversar gratuitamente com voluntários, 24 horas por dia, todos os dias. O CVV também disponibiliza atendimento por chat e e-mail.
Saúde mental precisa ser assunto durante todo o ano. Além da importância de abrirmos diálogos para fortalecer os pedidos de ajuda, é fundamental construirmos relações e ambientes de cuidado nos quais seja possível pedir apoio.
Que o Setembro Amarelo seja um convite não apenas para falarmos sobre prevenção ao suicídio, mas para refletirmos sobre como escutamos, como acolhemos e que relações estamos ajudando a construir todos os dias.
Cuidar e proteger a vida também passa por cultivar e fortalecer as nossas relações.
Vamos juntos(as)!
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