INICIATIVA QUE DEU CERTO! INCLUSÃO E IMPACTO SOCIAL – 5 ANOS NO BRASIL

Um casal de advogados, Simone e André, após receber o diagnóstico de autismo de seu filho Dudu com 7 anos, começou a buscar por programas que atuassem com o tema. Naquele momento, já iniciava também a preocupação com o futuro de Dudu em relação ao mercado de trabalho, fazendo com que André encontrasse a Specialisterne – organização dinamarquesa que atua na formação e inclusão profissional de autistas, e, num impulso, enviasse um e-mail para as Unidades da Dinamarca e Espanha. Sem muita expectativa, André recebeu um retorno de Francesc – CEO na Espanha e, a partir daí, começam as conversas e estudos para trazer a Specialisterne para o Brasil. Aos poucos, estas conversas se tornaram cada vez mais tangíveis. Com o investimento de Ramon Bernat, pai de um jovem com autismo em Barcelona, empreendedor social e fundador da Specialisterne Espanha, foi possível viabilizar a expansão do projeto aqui, e a criação de uma Unidade na cidade de São Paulo, primeira experiência na América Latina.

E não é que deu certo! Com muita alegria, comemoramos 5 anos de atuação no Brasil. Neste período, conseguimos abordar o tema da inclusão das pessoas com autismo no mercado de trabalho e a necessidade de as empresas olharem para o potencial das pessoas autistas, além de formar e capacitar mais de 170 pessoas com autismo e contribuir com a inclusão de mais de 120 no mercado de trabalho. Este trabalho tem sido reconhecido por diversas pessoas autistas, familiares e organizações devido ao seu impacto social. Sabemos que é preciso fazer muito mais, mas temos muito orgulho dos resultados alcançados até aqui.

Nossa história só é possível com a participação de pessoas que, desde o início, confiaram no projeto e hoje estão trabalhando e sendo reconhecidas profissionalmente. Por isso, compartilhamos alguns relatos:

“Sempre fui boa aluna com boas notas e nunca reprovei em nenhuma matéria. Estudei em uma escola normal. Hoje sou formada em Economia, com especialização em Economia Financeira. Sofri preconceito no passado. Hoje não. Mas ainda sou excluída da sociedade por ser quieta, tímida e não gostar muito de conversar. Por exemplo, até os 25 anos nunca consegui um emprego ou mesmo passar em entrevistas e processos seletivos para emprego devido a essas minhas características. Até eu conhecer a Specialisterne.” – Laura V. Após participar de alguns projetos da Specialisterne, internos e em clientes, hoje ela trabalha em uma importante multinacional de tecnologia.

“Sou formado em Design de Games e agora [estou] me formando em Ciências da Computação. Fui diagnosticado com autismo aos 10 anos. A Specialisterne me ajudou a reconhecer minhas habilidades e a me incluir no mercado de trabalho. Infelizmente, na faculdade, acabaram me excluindo, por não saberem lidar comigo, mas hoje as pessoas têm entendido que o autismo não é um ‘bicho de sete cabeças’. Fico muito feliz de ter sido incluído pela Specialisterne. Afinal, todos merecem a inclusão, seja qual for a [característica da] pessoa.” – Henryque R. S., Cientista de Dados no Itaú.

“Antes de trabalhar na Specialisterne havia uma incerteza na minha percepção sobre a minha segurança no trabalho. Não conseguia trabalhar sem ter medo de pessoas deduzirem coisas sobre meu comportamento e criarem um círculo de desconfiança. Tudo baseado em deduções. Ao trabalhar na Specialisterne e depois [disso], eu consegui ter maior confiança no trabalho. [O trabalho] me deu independência financeira. E aumentou minha autoestima.” – Lucas, o primeiro profissional incluído pela Specialisterne no Brasil e que hoje está trabalhando em um banco de investimentos.

Que tenhamos mais histórias de inclusão com qualidade, políticas públicas adequadas às necessidades das pessoas e seus familiares e uma sociedade mais acolhedora às pessoas neurodiversas.

Agradecemos às pessoas que participaram do programa, à equipe técnica, às empresas parceiras e clientes. Um agradecimento especial a Ramon, em nome de todas as pessoas beneficiadas pela Specialisterne no Brasil.

Esse artigo foi publicado na Revista Autismo, edição nº 12 – MAR/ABR/MAI 2021

Imagem da capa: Carl Heyerdahl via Unsplash.


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