DEI: uma agenda que veio para ficar

Montagem artística com perfis de mulheres diversas sobre fundo colorido em tons de rosa e roxo, representando diversidade e inclusão

Nos últimos meses, uma discussão tem chamado a atenção ao redor do globo: o tal backlash em diversidade, equidade e inclusão. Expressão que se refere à uma tendência que tem sido observada, em determinadas regiões e contextos específicos, de redução no investimento e visibilidade desta agenda.

Esse tipo de reação pode vir de diferentes fontes e pode se manifestar de várias formas. Considero que a história se constrói sob uma perspectiva materialista dialética, a partir da qual todo movimento é seguido de uma reação. Nesse sentido, é natural e já esperado que certos grupos enxerguem o avanço das discussões em DEI como uma ameaça a valores e tradições culturais, apresentando resistência.

Além disso, precisamos considerar que países transitam por contextos políticos diferentes ao longo dos períodos, nos quais debates sobre identidade, direitos e equidade podem ser altamente polarizados e frear relevantemente o avanço de pautas progressistas. Considerando ainda questões políticas e econômicas, algumas destas conjunturas levam a cortes de gastos nas organizações, infelizmente ainda são os programas e setores de DEI os primeiros afetados. 

Outros pontos para o qual acho interessante direcionar a reflexão diz respeito a maneira como a agenda pode ter sido inserida e trabalhada em certos espaços e contextos. Uma vez que o desenvolvimento de uma agenda em DEI exige um trabalho de modificação da cultura e desconstrução de vieses estigmatizados, é importante que seja desempenhado de maneira responsável, cautelosa e progressiva, baseado no diálogo contínuo. Caso contrário, pode surtir efeitos contrários àqueles esperados.

Além disso, o trabalho em diversidade e inclusão apresenta resultados mais tangíveis quando observados a médio e longo prazo. Porém, quando pensamos no contexto organizacional, a alta direção de muitas empresas está focada em resultados imediatos e facilmente visualizáveis. Por isso, é muito importante que o trabalho a ser construído seja feito de maneira muito responsável e cuidadosa, com monitoramento constante de indicadores e apresentação de resultados.

A realidade é que, apesar das reações de resistência ao avanço da pauta de diversidade e inclusão, esta é uma agenda que veio para ficar. Inicialmente porque o público de consumidores que as organizações buscam atingir e talentos que buscam atrair continuará sendo cada vez mais diverso, exigente e socialmente consciente. Além disso, pesquisas apontam que equipes mais diversas e organizações mais inclusivas elevam a harmonia, inovação e rendimento das equipes, superando metas financeiras.

 Em suma, o fenômeno do backlash em DEI revela a complexidade e a resistência inerentes ao avanço dessas pautas. Embora o descontentamento e os desafios sejam palpáveis, especialmente em cenários políticos delicados e em organizações com prioridades voltadas para resultados imediatos, a importância e os benefícios de uma agenda robusta de diversidade, equidade e inclusão não podem ser subestimados. A resistência não deve ser um fator desmotivador, mas um sinal de que a transformação cultural e institucional demanda um compromisso contínuo e estratégico.

Por isso, para que a agenda de diversidade e inclusão prospere e reste enraizada, é crucial adotar uma abordagem cuidadosa, fundamentada e estrutural, que respeite a evolução gradual dos processos e os desafios contextuais específicos. As organizações devem equilibrar a pressão por resultados de curto prazo com os benefícios reais de investimentos sustentáveis em DEI, acompanhando de perto os indicadores e comunicando os resultados obtidos. No fim das contas, o compromisso com a diversidade e inclusão não é apenas uma questão de justiça e impacto social, mas também uma estratégia inteligente e necessária para o sucesso a longo prazo. 

 

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