Continuamos nosso bate-papo com as sócias da Carlotas. Nesta edição, Carla Douglass e Andréa Risardo conversam sobre dois temas que, embora distintos, estão profundamente conectados: a inclusão produtiva das juventudes e o ECA Digital.
Falar sobre esses assuntos é falar sobre ecossistemas e reconhecer que crianças, adolescentes e jovens têm suas experiências atravessadas por diferentes contextos, relações e marcadores sociais.
Para Andréa, dialogar sobre inclusão produtiva é provocar o mercado a olhar para essa pauta para além da “caixa filantrópica”, construindo uma perspectiva estratégica para os negócios. Afinal, as crianças de hoje serão os jovens que chegarão ao mercado de trabalho amanhã, enquanto os aprendizes de hoje poderão, no futuro, ocupar novas posições nas organizações.
As empresas não são ilhas isoladas. A sociedade também acontece dentro delas. Por isso, escola e família precisam estar no radar das organizações. Questões como licença parental, auxílio-creche, jornadas de trabalho adequadas e saúde mental dizem respeito não apenas aos colaboradores, mas às relações e às famílias que também fazem parte desse ecossistema.
Nas palavras de Andréa:
“Nosso esforço é ressignificar as relações do mercado com a pauta de Carlotas: olhar e cuidar das relações. É a partir disso que haverá uma mudança significativa e estruturante.”
Quando pensamos na chegada de um(a) jovem à empresa, algumas perguntas são fundamentais: quem é esse(a) jovem? Quais são suas expectativas e habilidades? Qual é o seu contexto? A empresa e a área que irão recebê-lo(a) estão preparadas? Como será seu desenvolvimento?
O jovem está fazendo uma transição entre o universo escolar e o mundo do trabalho. Por isso, escuta, acompanhamento e feedbacks são essenciais para alinhar expectativas e reduzir frustrações e rotatividade.
Incluir produtivamente é criar condições para que o(a) jovem participe, aprenda, contribua e se desenvolva, considerando suas necessidades, sua realidade e sua saúde mental. É reconhecê-lo(a) como potência e, ao mesmo tempo, compreender como seu potencial pode dialogar com as necessidades da organização.
Ao falar sobre o ECA Digital, a conversa amplia essa perspectiva. A legislação reforça a responsabilidade pela proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, envolvendo empresas que produzem, disponibilizam ou distribuem conteúdos que podem ser acessados por esse público.
Como lembra Carla, “a empresa é feita de pessoas”. Por isso, essa não é uma pauta restrita ao setor de tecnologia ou a especialistas. Cada empresa faz parte dessa discussão e precisa considerar a proteção de crianças e adolescentes em seus produtos, serviços e processos, inclusive ao longo de sua cadeia produtiva.
Inclusão produtiva e ECA Digital nos levam, assim, a uma reflexão comum: não podemos pensar nas pessoas de forma isolada. É preciso olhar para os contextos, reconhecer as diferenças e assumir responsabilidades.
E o propósito de Carlotas é justamente esse: olhar para as relações, cuidar delas e construir ambientes mais preparados para acolher a diversidade de experiências.
Quer saber mais? Assista ao bate-papo na íntegra abaixo:
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