Nem cedo, nem tarde: agora

Arte colorida com perfis humanos entrelaçados, simbolizando presença, diversidade e o tempo presente. Mulheres Jovens na Liderança: desafios e potência no presente

Recentemente, me dei conta de algo curioso: ainda não tinha completado 28 anos, mas já vinha dizendo, há meses, que tinha aquela idade. Ao olhar para minha trajetória, percebi que, em vez de sentir orgulho por ocupar um espaço de liderança tão cedo, me via o tempo todo na necessidade de me justificar. Como se precisasse provar, a cada passo, que mereço estar aqui. E por quê?

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua/IBGE, 2023), mulheres representam apenas 38% dos cargos de liderança no Brasil. E, entre as líderes, a maioria tem mais de 40 anos. Fica evidente que ser uma mulher jovem no contexto organizacional muitas vezes carrega um estigma invisível, mas profundamente enraizado. O etarismo se manifesta de forma estrutural e para as mulheres o desafio é ainda mais intenso. 

Somos constantemente testadas, julgadas e descredibilizadas, como se a juventude fosse sinônimo de inexperiência e incompetência. Como se menor tempo de vida necessariamente anulasse nosso preparo, nossa capacidade e nossa autoridade.

À trajetória masculina, aplausos; à feminina, desconfiança. Quando um homem avança, sua ascensão é vista como natural, fruto de seu talento e esforço. Quando uma mulher chega ao mesmo lugar, questionam sua competência, atribuem seu sucesso à sorte, ao acaso, ou até a supostos privilégios. Se um homem erra, recebe compreensão, espaço para aprendizado e crescimento. Se uma mulher falha, é imediatamente julgada, colocada à prova, forçada a se justificar. Além disso, a linha do tempo da credibilidade feminina é cruelmente instável. Se jovens, somos vistas como imaturas e despreparadas. Se mais velhas, somos tratadas como ultrapassadas, irrelevantes. Entre esses dois extremos, existe alguma idade em que sejamos plenamente aceitas e valorizadas? Ou será que a idade “ideal” para ser respeitada sempre coincide com a de ser um homem?

Ilustração abstrata com rostos femininos sobrepostos em tons vibrantes, representando tempo e identidade. Mulheres Jovens na Liderança: desafios e potência no presente

 

De acordo com a pesquisa “Etarismo nas Empresas” (2022) feita pela Infojobs, 63% das mulheres jovens entrevistadas disseram sentir que precisam “provar mais” suas competências devido à idade. O etarismo nos sabota duplamente: nos faz duvidar de nós mesmas e nos obriga a carregar o peso de expectativas irreais. Nos tornamos, então, inseguras, hesitantes e perfeccionistas ao extremo. A autoconfiança, que deveria ser cultivada, se torna um desafio diário e um exercício constante de reafirmação. Enquanto homens jovens são vistos como promessas, somos tratadas como se ainda não estivéssemos prontas. Nos olham com superioridade, subestimam nossa fala, nos interrompem e duvidam de nossa autoridade. 

Quando não nos silenciam, nos testam sem descanso, esperando qualquer deslize para reafirmar a falácia de que ainda não deveríamos estar ali. A juventude, que deveria ser um trunfo, vira uma barreira.

Mas não peçamos mais desculpas e nem prestemos justificativas. Paremos de tentar nos provar além do necessário. Só nós sabemos da nossa trajetória e do que somos capazes. Nossa presença não incomoda pela falta de competência, mas porque ela desafia um sistema que não está pronto para mulheres jovens ocupando espaços de poder.

É hora de desafiar essa lógica, de ocupar sem hesitação, de construir sem pedir permissão.

 Não somos promessas de futuro, somos o presente. Nossa trajetória não precisa ser justificável para quem insiste em descredibilizá-la. E se nossas vozes incomodam, que ecoem ainda mais alto!

 

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