Comunicação e violência

Quando pensamos em violência, logo vem a imagem de brigas e agressões físicas. Porém, as violências são múltiplas e muitas vezes tão naturalizadas que nem nos damos conta.

Recentemente, o time de educação de Carlotas desenvolveu um jogo para conscientizar e educar educadores, crianças / jovens e familiares sobre as violências. Nesse jogo de 27 cartas, tem os tipos de violências e os exemplos para que se possa fazer as conexões e conversar a respeito (clique aqui para baixar). Dentre os tantos tipos, quero destacar uma que está muito presente no nosso dia a dia: a violência verbal.

A comunicação é uma das ferramentas chaves que temos para nos relacionar. Saber usá-la, com respeito e aceitação, pode evitar muitos mal-entendidos.

Não é de hoje que tem se percebido a importância da comunicação nas relações – para mantê-las e para destruí-las. No entanto, num período com tantas disputas e intolerância, fica ainda mais visível seu papel.

O psicólogo americano Marshall Rosenberg desenvolveu um estudo sobre a comunicação eficaz e empática, a chamada Comunicação Não Violenta que atualmente tem sido bastante falada dentro das organizações. Para ele, a comunicação deve ser algo que conecte as pessoas, simples e direta, na qual possam falar genuinamente o que sentem sem se sentirem julgadas, humilhadas, coagidas ou ameaçadas.

Como se baseia no respeito e empatia, é fundamental para momentos como os que estamos passando de grandes discussões e polaridades, pois ajuda a resolver conflitos, conectando-se com os outros.

Diante das disputas de discussões acerca de temas polêmicos, como o cenário político do Brasil, por exemplo, essa reflexão sobre como temos nos comunicado é fundamental para ajudar a cada um de nós a não repetir as mensagens de ódio e de desrespeito.

Fiz o curso de CNV com Dominic Barter, discípulo de Marshall, e o que mais me chamou atenção é que essa é uma postura e não uma técnica de 4 passos (1. Observação, 2. Sentimento, 3. Necessidade, 4. Pedido) como normalmente é divulgada.

Olhar para as violências que cometemos é um compromisso com a gente e com nosso entorno de contribuir para construir pontes e fazer a nossa parte nesse grande desafio que são as relações.

Aqui em Carlotas, para ajudar a conduzir a conversa, temos um morador que nos lembra dos acordos para conseguirmos exercitar o respeito e a empatia nos espaços de convívio, o Tung, nosso juiz da Suprema Corte.

O grande desafio é que precisamos nos comunicar o tempo todo. Ao vivo, por telefone, por mensagens, email…. Desde para nossa própria diversão até para debater alguma ideia.

Você pode perceber que algumas pessoas falam com certa tristeza, raiva ou frieza sem perceber. Isso gera consequências a sua volta como isolamento, exclusão e antipatia. Às vezes, é difícil ficar ao lado de uma pessoa que é sempre assim, mesmo entendendo que é uma boa pessoa.

Mas as relações e a comunicação possuem pelo menos duas pessoas envolvidas e nessa equação há apenas uma delas que conseguimos fazer algo a respeito: nós mesmos. Assim, aqui vai um desafio para você: preste atenção em como você tem se comunicado. Tente perceber que tipo de palavras que usa e seu tom de voz, gestos, o que diz e o que deixa de dizer. A comunicação passa por diversas dimensões além da palavra. Tente fazer isso por uns dois dias e se perceba. Do que você percebeu:

O que gostou? 

O que funciona?

O que pode melhorar?

SPOILER: Cuidado, pode não ser um exercício muito agradável e, algumas vezes, pode ser dolorido. Só depois de perceber seu jeito de se comunicar, preste atenção como as pessoas a sua volta se comunicam também. Podemos aprender muito o que fazer (e não fazer!) com as pessoas com as quais interagimos.

Esse é um processo de mudança de comportamento. O ponto de partida é esse autoconhecimento e muita vontade porque os desafios (e vícios de linguagem) são muitos! Uma caminhada longa, mas que vale a pena. Experimente!


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